CGTP espera "grande jornada de luta" no sábado e promete outras ações

CGTP espera "grande jornada de luta" no sábado e promete outras ações

 

Lusa/AO Online   Nacional   18 de Out de 2013, 08:35

O secretário-geral da CGTP conta ter "uma grande jornada de luta" no sábado, em Lisboa e no Porto, e promete anunciar outros protestos contra as novas medidas de austeridade previstas na proposta de Orçamento do Estado para 2014.

 

"A CGTP conta ter uma grande jornada de luta no sábado, mas a luta não vai terminar, anunciaremos, na altura, outras ações que se justificam neste momento de ataque aos trabalhadores e aos pensionistas", disse à agência Lusa o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos.

A CGTP marcou para sábado uma jornada nacional de luta contra a exploração e o empobrecimento que inclui manifestações no Porto e em Lisboa.

O protesto no Porto integra a travessia a pé da ponte do Infante e em Lisboa previa a travessia da ponte 25 de Abril.

Dado que o Governo não autorizou a travessia a pé da ponte 25 de Abril, alegando questões de segurança, a central sindical optou por uma concentração em Alcântara, que deverá contar com a participação de "milhares de pessoas.

Muitas destas pessoas vão deslocar-se para a capital em autocarros, que vão atravessar a Ponte 25 de Abril com protestos sonoros.

“Está prevista a chegada a Lisboa de centenas de autocarros e muitas pessoas já manifestaram intenção de participar no protesto, seguindo nos seus próprios carros, para depois integrarem a concentração”, disse Arménio Carlos.

Para o sindicalista a decisão assumida pelo Governo "foi uma decisão política", mas não prejudicou a participação na manifestação.

"Do que sabemos, tem vindo a aumentar o número de pessoas que pretendem participar e, por isso, acreditamos que vamos ter um dia muito bonito, de confiança, determinação e de afirmação do que pretendemos para o país", disse.

Arménio Carlos reconheceu que o cancelamento da marcha na ponte 25 de Abril causou frustração nalgumas pessoas, mas estas acabaram por entender a decisão da CGTP.

"Decidimos que fazê-lo [atravessar a ponte a pé] era dar pretexto ao Governo para desviar a atenção do Orçamento do Estado, que é um brutal ataque a todos os trabalhadores e pensionistas", disse o sindicalista.

Arménio Carlos considera que a jornada de luta, no Porto e em Lisboa, "vai ser um momento alto" para a central apresentar as suas propostas, como alternativa à política de austeridade seguida pelo Governo.

"Vamos ter com certeza duas grandes manifestações em que os trabalhadores e pensionistas vão mostrar que não ficam de braços cruzados e acreditam que o país tem futuro", acrescentou.

O líder da Intersindical entende que as medidas de austeridade inscritas na proposta de Orçamento do Estado para 2014 aumentam a indignação dos portugueses e acabam por ter um efeito mobilizador para o protesto.

A proposta de Orçamento do Estado entregue na terça-feira no parlamento pela ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, prevê que seja “aplicada uma redução remuneratória progressiva entre 2,5% e 12%, com caráter transitório, às remunerações mensais superiores a 600 euros de todos os trabalhadores das administrações públicas e do setor empresarial do Estado, sem qualquer exceção, bem como dos titulares de cargos políticos e outros altos cargos públicos”.

O subsídio de Natal dos funcionários públicos e dos aposentados, reformados e pensionistas vai ser pago em duodécimos no próximo ano, segundo a proposta, que mantém a aplicação da Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) sobre as pensões.

No documento, o Governo refere que o défice orçamental deste ano vai resvalar para os 5,9% do PIB, superando os 5,5% definidos para 2013 entre o Governo e a 'troika' e confirma as previsões macroeconómicas, apontando para um crescimento económico de 0,8% e uma taxa de desemprego de 17,7% em 2014.

 


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