CESA concorda com redução da despesa nos Açores mas não diz onde cortar

O Conselho Económico e Social dos Açores (CESA) concorda com a necessidade de reduzir as despesas de funcionamento dos serviços públicos na região, como propõem os deputados do Chega, mas recusa indicar onde se deve cortar



“Na generalidade, acho que este tipo de propostas são bem aceites porque a contenção das despesas de funcionamento, nomeadamente através da racionalização da despesa com pessoal e bens e serviços, é uma medida necessária”, admitiu representante do CESA, Gualter Couto, durante uma audição na Comissão de Economia da Assembleia Regional, reunida em Ponta Delgada.

Gualter Couto foi ouvido pelos deputados a propósito de uma iniciativa do Chega, que entende que há organismos, institutos e empresas públicas a mais na região, e que é necessário extinguir ou fundir alguns deles para reduzir a despesa pública regional.

“Apela-se ao sentido de responsabilidade e de ponderação nas medidas a tomar, porquanto, regra geral, essas empresas prestam, de forma geral, serviços públicos imprescindíveis à população, e empregam um considerável número de trabalhadores”, advertiu o empresário, adiantando que é necessário “maior transparência e detalhe” para avaliar os impactos desses cortes.

Francisco Lima, deputado do Chega e um dos proponentes da iniciativa que está em apreciação no parlamento açoriano, lembrou que é preciso equilibrar as contas públicas da região e reduzir serviços que, no seu entendimento, “não servem para nada”.

Para o deputado, “é evidente que há serviços que têm utilidade, outros têm menos utilidade e outros até não têm utilidade nenhuma, ou são redundantes”.

“E gostaria de saber qual é a vossa opinião, então, de como é que se vai reduzir a despesa, se não for para mexer com nada”, questionou Francisco Lima, procurando obter respostas mais específicas por parte do CESA.

O representante do Conselho Económico e Social dos Açores evitou entrar em pormenores, afirmando apenas que é necessário avaliar “caso a caso”.

“A cada um destes casos vamos analisar vantagens e desvantagens, quais são os serviços que são prestados e qual a qualidade desses serviços”, explicou Gualter Couto, que recusa a ideia de “passar um cheque em branco” à proposta do Chega.

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