Carlos César volta a ser candidato a presidente do PS mas antecipa “maior recato público”

Carlos César volta a ser candidato a presidente do PS no 25.º congresso, confirmou o próprio à Lusa, após aceitar o “pedido insistente” do líder do partido e de outros socialistas de diferentes sensibilidades, mas antecipa “maior recato público”



“Tinha confidenciado a alguns camaradas que não tencionava continuar no cargo, mas decidi aceitar voltar a ser candidato à presidência do partido, correspondendo ao pedido insistente nesse sentido do secretário-geral agora reeleito [José Luís Carneiro], e de outros camaradas, com as mais diversas sensibilidades, que igualmente me fizeram chegar esse apelo”, respondeu Carlos César à agência Lusa quando questionado sobre se seria de novo candidato ao cargo.

Entre os nomes dos apoiantes à sua candidatura - cuja eleição decorre em congresso e por proposta de um mínimo de 5% de delegados eleitos – estão o ex-líder do PS Pedro Nuno Santos, o presidente honorário do PS Manuel Alegre, o ex-presidente do parlamento Eduardo Ferro Rodrigues e os ex-ministros Duarte Cordeiro, Mariana Vieira da Silva, Fernando Medina, Alexandra Leitão ou João Soares, bem como os ex-deputados Sérgio Sousa Pinto e Ascenso Simões.

“Em circunstâncias anteriores, exerci o cargo com maior visibilidade e intervenção pública, numa fase, porque o secretário-geral do partido ocupava funções de Governo e eu próprio era líder parlamentar, e, numa fase seguinte, pelas circunstâncias extraordinárias ocasionadas com a vacatura na liderança do partido”, referiu.

Com o PS afastado do Governo e a vida interna decorrendo com normalidade, Carlos César considerou que “o presidente tem, ou deve ter, uma posição de maior recato público, sem prejuízo da sua magistratura de influência, tendencialmente desenvolvida com discrição, em defesa do melhor discernimento e da unidade e coesão no partido”.

“É o que agora acontece”, antecipou.

Para o antigo presidente do Governo Regional dos Açores, o cargo ao qual se recandidata no partido deve ser "uma referência institucional de continuidade e não um cargo executivo", coexistindo "quer com a renovação programática, como com as disputas e as alterações na liderança e em outros órgãos executivos eleitos".

"Fui eleito pela primeira vez em 2014 e trabalhei continuadamente com diferentes direções do partido, lideradas sucessivamente por António Costa, Pedro Nuno Santos e, ultimamente, por José Luís Carneiro, que conheço desde os tempos em que partilhámos o Comité das Regiões da UE e em que ele era Presidente de Câmara Municipal", referiu.

César elogia "a determinação e o trabalho, na sua forma como no seu conteúdo, com que José Luís Carneiro tem liderado" o PS.

"Não gostaria que se colocasse em dúvida essa minha avaliação com uma menor participação da minha parte. O PS, com a sua atual liderança, já eliminou muitas das rejeições que tinha e abriu novos espaços de acolhimento a sensibilidades diferentes, a pessoas qualificadas e a eleitores em geral. Esse trabalho, dará, certamente, a seu tempo, bons frutos", defendeu, destacando a "postura expositiva, pedagógica, construtiva e serena" de Carneiro que tem "uma liderança diferente entre os maiores partidos portugueses".

Questionado sobre se o partido já fez a devida reflexão depois da hecatombe das últimas legislativas, o presidente do PS considerou que os socialistas conhecem já "muitas das razões" que os levaram ao "insucesso eleitoral".

"E acho que estamos a adquirir melhor consciência sobre como podemos inverter o que parecia ser uma tendência", disse.

O 25.º Congresso Nacional do PS decorre nos dias 27, 28 e 29 de março, em Viseu, depois de José Luís Carneiro ter sido reeleito secretário-geral do PS, de novo sem oposição, nas diretas do passado fim de semana.


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