Cardiff sem indemnização de 122 milhões do Nantes pela morte de Emiliano Sala

O Cardiff viu o tribunal de Nantes recusar-lhe o pedido de indemnização ao Nantes de 122,2 milhões de euros por perdas relacionadas com a morte do futebolista argentino Emiliano Sala, em acidente de avião



O Tribunal de Comércio de Nantes não validou as pretensões do Cardiff, justificadas com perdas de receita estimadas com a morte do atleta, em voo sobre o Canal da Mancha, na viagem que fazia de França para se juntar ao novo emblema, no País de Gales.

Os galeses fizeram uma projeção de pontos e golos esperados pelo desempenho do avançado, pelo que o facto de nunca ter jogado contribuiu para a descida à segunda divisão inglesa em 2019, ano da tragédia, facto que provocou uma queda acentuada nas receitas.

“Avançámos com este processo para que toda a verdade fosse apurada neste caso, no respeito pela memória de Emiliano Sala. Hoje, constatamos com amargura que os princípios de transparência, integridade e segurança no futebol profissional não se impuseram nesta decisão”, queixou-se a advogada do Cardiff City, Céline Jones, ao lado da mãe de Emiliano Sala, que preferiu não prestar declarações.

Ao invés, o queixoso foi condenado a pagar 480.000 euros ao Nantes, repartidos em 300.000 por danos morais e 180.000 por despesas de representação legal.

“O FC Nantes não é de forma alguma responsável pela tragédia ocorrida e congratulamo-nos por o tribunal nos ter ouvido e confirmado isso em termos claros”, reagiu o advogado dos gauleses, Jérôme Marsaudon.

Emiliano Sala morreu aos 28 anos num acidente com um avião privado ocorrido a 21 de janeiro de 2019, quando se preparava para se juntar ao Cardiff, que tinha acordado pagar ao Nantes 17 milhões de euros pelo seu passe.

Num outro processo do litígio entre os clubes, o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) considerou, em 2022, que a transferência do jogador estava efetivamente concluída no momento da sua morte, pelo que em 2023 a FIFA ordenou ao Cardiff que pagasse ao FC Nantes o valor ainda em dívida, pouco mais de 11 milhões de euros, de um total de 17 milhões.

Willie McKay, intermediário da operação, foi o responsável pela contratação do voo privado que terminou em tragédia e no qual foram apontadas várias irregularidades, entre as quais o facto de o piloto não ter licença para voar, situação que seria desconhecida do agente.

O Cardiff entende que a organização do voo estava a cargo do Nantes, responsabilizando-o por esse facto.


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