Açoriano Oriental
2018
Bolsonaro, o ex-capitão do Exército que ganhou o Brasil para o conservadorismo

Eleito com o slogan "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos", Jair Messias Bolsonaro foi eleito Presidente em 2018, apostando na defesa da ordem civil inspirada na cultura militar, na moral cristã e no liberalismo económico.

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Foto: EPA/ANTONIO LACERDA
Autor: Lusa/AO Online

Classificado de "mito" ou "herói" pelos seus apoiantes e de "perigo para a democracia" por críticos e adversários, Bolsonaro, de 63 anos, eleito a figura internacional do ano pelos jornalistas da Lusa, está na política brasileira há 28 anos e antes de vencer as presidenciais em outubro passado foi eleito deputado (membro da câmara baixa) sete vezes consecutivas, sem nunca ter ocupado um cargo importante no Parlamento.

Foi eleito Presidente com o apoio de todos os que são hoje contra o Partido dos Trabalhadores (PT), que ganhou as quatro eleições presidenciais anteriores mas que se viu envolvido em escândalos de corrupção, à semelhança de outros partidos tradicionais, quase todos investigados por aquele que será o futuro ministro da Justiça de Bolsonaro, o juiz Sérgio Moro.

Capitão do Exército reformado e defensor da ditadura militar - regime que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985 -, o futuro Presidente brasileiro, que tomará posse em 01 de janeiro de 2019, iniciou a carreira política como uma figura caricata de posições extremas e discursos agressivos em defesa da autoridade do Estado e dos valores da família cristã.

Ganhou notoriedade nos últimos anos e transformou-se num líder capaz de mobilizar milhares de eleitores desiludidos com a mais severa recessão económica da história do Brasil, que eclodiu entre 2015 e 2016, ao mesmo tempo que as lideranças políticas tradicionais do país foram apanhadas em escândalos de corrupção.

Sempre se posicionou como um inimigo declarado das ideias defendidas por partidos de esquerda, chegando a dizer publicamente em inúmeras oportunidades que varrerá do país todos os comunistas.

Bolsonaro é favorável ao porte livre de armas e prega que o combate à violência no Brasil, país que registou 63.800 homicídios em 2017, deve ser feito de forma violenta pelas autoridades.

Na área de segurança pública mantém propostas polémicas, como a criação de uma figura jurídica que impeça que homicídios cometidos por polícias em serviço sejam julgados criminalmente.

Embora tenha baseado a sua carreira na defesa dos direitos dos funcionários públicos, principalmente das polícias e das Forças Armadas, Bolsonaro assumiu nesta campanha presidencial uma agenda liberal.

Antes mesmo de ser eleito Presidente, declarou que pretendia fazer uma ampla reforma no sistema de pagamento de pensões, diminuir as leis de proteção dos trabalhadores, reduzir a participação do Estado na economia e abrir o país ao comércio mundial com projetos ambiciosos para atrair investimento estrangeiro.

Para liderar estas políticas, Bolsonaro escolheu para ministro da Economia Paulo Guedes, um economista que defende a privatização de empresas públicas e a não interferência do Estado nos setores produtivos, inspirado nos conceitos do liberalismo económico defendido na escola de Chicago.

Na política externa, Bolsonaro insira-se no Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e escolheu como ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo, um diplomata admirador do chefe de estado norte-americano, com uma retórica agressiva contra a globalização.

Embora a sua posição ainda não seja clara, o próximo Presidente do Brasil já disse discordar do Acordo de Paris para o Clima e do recém-aprovado Pacto mundial para a Migração.

O futuro chefe de Estado é contra o aborto, contra políticas de integração racial (como quotas para negros em universidades e órgãos públicos) e ações voltadas para a proteção dos homossexuais e outras minorias.

Na área do meio ambiente é favorável à diminuição da fiscalização de crimes, tendo já prometido acabar com aquilo a que chama a "indústria das multas" a que estão sujeitos aqueles que comentem infrações ambientais no Brasil.

Nas eleições, Bolsonaro beneficiou da redução eleitoral dos grandes partidos tradicionais e assentou uma política de alianças com novos partidos de direita e deputados associados a igrejas evangélicas, ao negócio das armas e ao setor da agropecuária.


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