Bloco de Esquerda defende que Portugal tem um “problema de racismo institucional"


 

Lusa/Ao online   Nacional   26 de Jan de 2019, 01:00

A deputada do Bloco de Esquerda Sandra Cunha esteve esta sexta feira na manifestação de apoio aos moradores do bairro da Jamaica, no Seixal, distrito de Setúbal, onde defendeu que Portugal tem um “problema de racismo institucional”.

“O combate à violência passa também pelo combate aos preconceitos, ao racismo, à xenofobia e nós sabemos que Portugal tem um problema de racismo institucional, é um problema estrutural, é um problema que não é só o Bloco que o afirma”, referiu Sandra Cunha.

A deputada falava aos jornalistas em frente à Câmara do Seixal, onde decorria uma manifestação de apoio aos moradores do bairro da Jamaica, contra as alegadas agressões, racismo policial e por habitações dignas.

Para Sandra Cunha, deveria haver “uma maior aposta” na educação e formação das forças policiais.

“O relatório da equipa contra o racismo e insegurança da Comissão Europeia, que saiu no ano passado, refere precisamente e faz recomendações nesse sentido porque há focos de violência, racismo e discriminação nas forças policiais. O papel das forças policiais é absolutamente crucial para garantir a segurança da população, valorizamos o trabalho dos elementos e consideramos que a sua imagem não pode ser manchada pelo comportamento de alguns”, frisou.

Quando questionada sobre as críticas de que o Bloco de Esquerda tem sido alvo, a deputada garantiu que o partido apenas está a defender o fim da violência.

“Não é um aproveitamento quando faz parte daquilo que o Bloco de Esquerda sempre fez, estar contra o racismo, contra a discriminação, que é alias aquilo que todas as pessoas, e ainda mais com responsabilidades políticas, se deviam manifestar por uma sociedade igualitária e sem violência. Estamos aqui a mostrar que esta gente não é violenta”, frisou.

A manifestação começou por volta das 16:30 e terminou pelas 18:30, e ficou caracterizada exatamente por ser um movimento pacífico, mas com a presença de poucos moradores do bairro da Jamaica.

“As pessoas são livres de participar e apoiar aquilo que entenderem. O Bloco de Esquerda sempre esteve do lado da igualdade, do respeito, da luta contra o respeito, a discriminação, contra a violência e é por isso que estamos aqui também para prestar esse apoio e para dizer que estamos numa manifestação física, como se pode ver, e que exige aquilo que são valores fundamentais da nossa democracia, que são a igualdade, a liberdade, a não violência, o não ao racismo e combate à descriminação”, mencionou.

Sandra Cunha alertou também para a realidade económica e habitacional dos moradores de Vale de Chícharos.

“O bairro da Jamaica tem graves carências económicas, vive em condições de habitabilidade desumanas e o Bloco de Esquerda conseguiu na Assembleia da República que o processo de realojamento fosse feito com os moradores. Esse é um grande passo e esperemos que o processo decorra com toda a tranquilidade e não seja manchado com estes incidentes”, afirmou.

Quando questionada sobre o porquê de uma manifestação à porta da câmara municipal, que está a financiar a maior parte dos realojamentos em Vale de Chícharos, a deputada esclareceu que essa decisão “não foi da autoria do Bloco”.

“Só estamos aqui a apoiar no local onde as pessoas escolheram para isso. A camara é um órgão do poder local e presumo que seja por isso a escolha, por ser um órgão político que também tem responsabilidades nessa matéria, especialmente nas questões do realojamento”, explicou.

O protesto acontece na sequência de incidentes entre moradores e a polícia ocorridos no passado domingo em Vale de Chícharos, conhecido como Bairro da Jamaica, no Seixal, distrito de Lisboa, e contou com apenas uma minoria de habitantes deste bairro.

No domingo passado, a polícia foi chamada a Vale de Chícharos após ter sido alertada para “uma desordem entre duas mulheres”.

Segundo a PSP, um grupo de homens reagiu à intervenção dos agentes da polícia quando estes chegaram ao local, atirando pedras. Do incidente resultaram feridos, sem gravidade, cinco civis e um agente.

Na segunda-feira decorreu uma manifestação contra a violência policial, convocada nas redes sociais, em frente ao Ministério da Administração Interna, em Lisboa, que resultou em quatro detenções por apedrejamento aos agentes da PSP, de acordo com a polícia.

Nos dias seguintes aos protestos ocorreram diversos atos de vandalismo, como caixotes de lixo queimados e carros vandalizados, nos concelhos de Loures, Sintra, Odivelas e Setúbal.

O Ministério Público e a PSP abriram inquéritos aos incidentes no bairro da Jamaica.



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