“Nós [Açores] estamos classificados como uma região ultraperiférica, não é apenas periférica, [é] ultraperiférica. E, isto, também é urgente que se concretize em medidas próprias em defesa, às vezes de coisas simples, como uma companhia aérea que nos possibilite a vinda do turismo, o desenvolvimento, a mobilidade”, disse o prelado diocesano aos jornalistas, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, à margem de um encontro informal sobre o Dia Mundial das Comunicações Sociais.
Armando Esteves Domingues respondia a uma questão da agência Lusa a propósito de assuntos que ultimamente têm sido abordados e que afetam a região, como o Subsídio Social de Mobilidade e a saída, a 29 de março, da companhia aérea de baixo custo Ryanair.
O bispo de Angra referiu que os Açores ainda não chegaram ao patamar de serem “perfeitamente autónomos” na produção de riqueza e na sustentabilidade.
“Creio que estamos, e temos percorrido nestes 50 anos de autonomia passos enormes, temos conquistado tanto de um espaço e de afirmação e continuamos a afirmar espaços também maduros de crescimento como a autonomia, mas a República, efetivamente, precisa de olhar [de outra forma para a região]”, afirmou.
Armando Esteves Domingues disse que a situação também preocupa a Igreja.
“Ainda não conseguimos responder como queríamos a essas franjas de injustiçados, a esta gente que, talvez, já por uma inércia de caminho, se calhar por políticas que se foram transmitindo e que não foram tendo muitos resultados, ainda não conseguimos superar essas franjas de pobreza”, justificou.
Acrescentou que há indícios que apontam para alguma recuperação, mas “ainda não é consolidada e isto, efetivamente, preocupa imenso também a diocese e está envolvida nas suas estruturas e também nas suas formas de estar no mundo, como sempre foi, de uma forma complementar, para que estas franjas se sintam apoiadas”.
Relativamente ao Dia Mundial das Comunicações Sociais, o bispo de Angra referiu que a mensagem do Papa Leão XIV “fala muito” no desafio “para salvar a pessoa”, promovendo uma comunicação que construa pontes, favoreça a verdade e reforce a dignidade humana.
O bispo açoriano salientou que o jornalismo é “cada vez mais decisivo” e os jornalistas são cada vez mais importantes porque, no mundo atual, onde proliferam as redes sociais e a desinformação, estes profissionais fazem uma “interpretação autêntica da realidade”.
No encontro, o jornalista Osvaldo Cabral fez uma reflexão sobre o contributo dos diversos Papas ao longo do tempo, tendo-se focado nas mensagens sobre o Dia Mundial das Comunicações Sociais “mais importantes e mais atuais”, abordando também os desafios que se colocam aos jornalistas e aos órgãos de comunicação social no geral.
