Banca

Banco Insular recebia "parte clandestina" do BPN


 

Lusa/AOonline   Economia   3 de Nov de 2008, 16:43

O Banco Insular, de Cabo Verde, recebia "parte dos activos na ilegalidade, a parte clandestina" que não estava a ser registada nas contas do Banco Português de Negócios (BPN), disse o responsável pela supervisão bancária no arquipélago.
Em declarações à Rádio Nacional na Cidade da Praia, João Fidalgo, director de Supervisão de Instituições Financeiras do Banco de Cabo Verde, disse que o banco central cabo-verdiano tinha conhecimento de irregularidades no Banco Insular desde Junho.

    Desses valores "na ilegalidade", referiu, fazem parte os 360 milhões de euros que o Banco de Portugal (BP) detectou, quando decidiu propor a nacionalização do BPN por perdas acumuladas de 700 milhões de euros.

    João Fidalgo disse também que o Banco Insular é pertença da Sociedade Lusa de Negócios e tem como accionista maioritário uma holding com sede em Inglaterra.

    Esclareceu que o Banco de Cabo Verde já tinha detectado irregularidades no Banco Insular, que se comprometeu a repor a legalidade, esclarecendo que estava em vias de ser adquirido pelo BPN.

    "O Banco Insular tinha prometido resolver todas as questões de irregularidade. A expectativa do Banco Insular era que com o processo de aquisição manifestado através do BPN, a própria aquisição" poderia "repor o capital social em solvência", disse João Fidalgo, acrescentando que agora terá de "haver outras medidas".

    Segundo João Fidalgo, é o Banco de Portugal (BdP) que está a gerir a situação relacionada com o Banco Insular, por ser uma instituição com capitais portugueses.

    "Também fomos informados pelo BdP que o Banco Insular está no perímetro de supervisão do Banco de Portugal", por ser "uma filial da Sociedade Lusa de Negócios", referiu.

    O Banco Insular está registado em Cabo Verde como banco autónomo e faz parte de uma dúzia de instituições bancárias no arquipélago que não são bancos comerciais, não possuindo qualquer dependência além de um escritório.

    A Agência Lusa tentou hoje falar com os responsáveis em Cabo Verde pelo Banco Insular e pelo BPN, mas tal não foi possível.

    Os dois bancos funcionam num mesmo edifício no centro da Cidade da Praia, tendo o Banco Insular como presidente do conselho de administração José João Vaz de Mascarenhas, que segundo a Lusa foi informada está em Portugal.

    Do BPN apenas disseram à Lusa que não era possível falar com alguém, porque não se encontrava qualquer responsável.

    Questionado sobre quem era o responsável, um funcionário do banco referiu o nome de Inês Santos, a qual, no entanto, já disse por telefone que não tem qualquer responsabilidade no BPN.

    O ministro das Finanças de Portugal, Teixeira dos Santos, anunciou domingo a intenção de nacionalizar o BPN devido a perdas acumuladas no valor de 700 milhões de euros.

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.