"Tínhamos de garantir que a droga não se perdia, que não era feito um transbordo em alto-mar", afirmou o diretor da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE), João Oliveira, numa conferência de imprensa em Lisboa, com a presença de representantes da Marinha e Força Aérea portuguesas e da Polícia Nacional espanhola, sobre a operação "Skydrop".
O porta-contentores, "proveniente da América Latina, foi detetado e abordado a cerca de 640 milhas náuticas de Lisboa, o equivalente a 1.185 quilómetros, em condições extremas de dificuldade" e foi "acompanhado pela Marinha até ao Porto de Sines", no distrito de Setúbal, onde atracou na madrugada de terça-feira, precisou hoje a PJ em comunicado.
Na operação - que incluiu uma descida em 'rappel' em alto-mar dos operacionais, a partir de um helicóptero - foram detidas três pessoas: dois passageiros "em situação clandestina e irregular" e um elemento da tripulação, "por suspeita de estar envolvido no esquema criminoso" de tráfico de droga destinada à Europa.
Segundo João Oliveira, os dois clandestinos eram um italiano e um colombiano e o tripulante um indiano, que iriam ser apresentados a tribunal para serem interrogados por um juiz e conhecerem eventuais medidas de coação.
Uma parte da droga estava no porão, "numa zona de difícil acesso", e a maioria num contentor, ali colocada "quando [este] estava a fazer a sua marcha", tudo apontando para que fosse retirada do navio algures no oceano Atlântico.
A investigação decorria desde o início do mês no quadro do Centro de Análise e Operações Marítimas - Narcóticos (MAOC-N, na sigla oficial), "no âmbito da cooperação policial internacional e em estreita colaboração com as autoridades policiais e judiciárias do Reino Unido (National Crime Agency) e Espanha (Policia Nacional)", precisou a PJ, na nota.
Contactado pela agência Lusa, o comandante da Capitania do Porto de Sines, Rui Vasconcelos, revelou que o navio saiu às 09h55, daquele porto alentejano.
Segundo a plataforma Vessel Finder, o porta-contentores tinha estado atracado no Porto de Colón, no Panamá, antes de ser encaminhado para Sines e mantém como destino Tânger, em Marrocos, onde está previsto chegar no sábado.
"A esmagadora maioria da tripulação seguramente nada teria a ver com a estrutura criminosa", sublinhou o diretor da UNCTE, acrescentando que "não há absolutamente nenhuma suspeita, até agora, sobre a empresa".
