Desde o dia 01 de julho que na ilha do Faial foram contabilizados mais de quatro centenas de casos de pessoas com sintomatologia de gastroenterite aguda, referiu hoje em comunicado o Delegado de Saúde da Horta, Armando Faria.
Num ponto de situação feito ao fim do dia pela Delegação de Saúde da Horta, o responsável adiantou que a investigação destinada a identificar o agente causador “encontra-se em curso” e estão a ser realizadas “colheitas e análises a vários veículos potenciais”.
“Sublinha-se que, até ao momento, não existe qualquer evidência que associe estes casos ao consumo de água da rede pública”, garantiu Armando Faria.
Segundo a nota, os casos de gastroenterite aguda verificados são, “na larguíssima maioria, de um quadro ligeiro e de resolução espontânea em poucos dias”.
“Os dados do Serviço de Urgência [do Hospital da Horta] confirmam um aumento das presenças por diarreia e/ou vómitos a partir de meados de julho, as quais representaram, na semana mais recente, cerca de um quarto dos atendimentos”, acrescentou, indicando que, “no conjunto das últimas semanas, contabilizaram-se mais de quatro centenas de presenças com esta sintomatologia”.
O Delegado de Saúde referiu que o quadro “é compatível com uma gastroenterite de provável origem vírica - de elevada transmissibilidade, mas habitualmente benigna -, sendo muito raras as situações que exigem internamento”.
A Delegação de Saúde está a acompanhar a evolução da situação e coordena a resposta, “articulando de forma muito próxima e sempre que necessário com o Hospital da Horta, a Unidade de Saúde da Ilha do Faial, as equipas de prevenção e controlo de infeção, a entidade gestora da água e a autarquia”.
“São monitorizados diariamente os indicadores relevantes, reforçadas as medidas de controlo de infeção nas unidades de saúde e mantida a articulação com o laboratório de referência”, indicou.
A autoridade de saúde referiu ainda que é dada especial atenção aos espaços que acolhem população mais vulnerável, como creches, estabelecimentos de ensino, estruturas residenciais para idosos e unidades de saúde.
Nestes locais estão a ser reforçadas medidas como a higienização frequente das mãos com água e sabão, a limpeza e desinfeção de superfícies com solução de hipoclorito de sódio (lixívia diluída), a permanência no domicílio das pessoas com sintomas e limitação das suas visitas a lares e ao hospital e a vigilância acrescida de crianças, idosos e pessoas com doença crónica, pelo maior risco de desidratação.
À população da ilha do Faial pede-se “serenidade e colaboração” e que tome medidas para interromper a transmissão, como lavar frequentemente as mãos com água e sabão, e reforçar a ingestão de líquidos.
Quem tiver sintomas deve permanecer em casa até recuperar e evitar preparar alimentos para outras pessoas ou visitar lares e o hospital até 48 horas após a melhoria e, nos casos ligeiros, recomenda-se que contacte a Linha Saúde Açores (808 24 60 24) ou o centro de saúde, “reservando o Serviço de Urgência para as situações com sinais de alarme, evitando a sua sobrecarga”.
As pessoas com sinais de desidratação, vómitos persistentes, incapacidade de ingerir líquidos, agravamento do estado geral ou sangue nas fezes, bem como bebés, idosos e doentes crónicos, devem procurar avaliação médica.
Na sexta-feira, a diretora clínica do Hospital da Horta, Fátima Pinto, adiantou que a doença provoca, habitualmente, vómitos e diarreias e leva a que as pessoas se sintam “fracas e incomodadas pelos sintomas”, que, em situações normais, demoram entre dois e três dias.
No ano passado, no período de 01 de julho a 12 de agosto, a unidade de saúde registou apenas 90 casos de gastroenterite, ou seja, quatro vezes menos do que este ano, reconhecendo que houve, este verão, um “aumento significativo” de situações.
Autoridade de saúde investiga agente causador de gastroenterite na ilha do Faial
A autoridade de saúde da Horta, no Faial, Açores, onde foram contabilizados mais de 400 casos de gastroenterite, tem a decorrer uma investigação para identificar o agente causador da doença, não existindo “qualquer evidência” relacionada com consumo de água.
Autor: Lusa
