"As interrupções no fornecimento de energia elétrica deixaram de ser episódios excecionais para se tornarem uma realidade quotidiana (…), 9 em cada 10 famílias venezuelanas sofrem cortes de energia diários ou esporádicos, refletindo um impacto que afeta a vida familiar, o acesso a serviços básicos e as condições para o cuidado e desenvolvimento de crianças e adolescentes", denuncia a ONG.
Criada e dirigida pelo lusodescendente Fernando Pereira, sublinha que ocorrem interrupções recorrentes do serviço elétrico durante várias horas por dia, em particular no interior do país, gerando dificuldades agravadas em zonas rurais e comunidades afastadas da capital.
"A crise energética não afeta apenas o funcionamento dos serviços públicos. Também compromete as condições essenciais para o exercício dos direitos e o bem-estar das crianças e dos adolescentes", sublinha.
Segundo a Cecodap, as altas temperaturas e as interrupções nos serviços puseram em evidência problemas de infraestruturas como escolas com ventilação insuficiente, dificuldades no acesso à água potável, casas de banho inoperacionais e condições que dificultam a permanência de alunos nos estabelecimentos educativos durante o horário escolar.
"Estas situações têm consequências concretas na vida quotidiana. Há crianças que reduzem o consumo de água potável para evitar usar casas de banho que não funcionam. Há alunos que enfrentam dias letivos em condições de calor que afetam a concentração e a aprendizagem. Há adolescentes que tentam fazer os trabalhos escolares enquanto sofrem interrupções constantes do serviço de eletricidade nas suas casas", explica.
Segundo a Cecodap, "quando estas condições se prolongam, o impacto deixa de ser apenas uma dificuldade na vida quotidiana, afetando o exercício efetivo do direito à educação, ao descanso, ao desenvolvimento integral e, em última análise, ao direito à saúde mental".
A incerteza permanente, as constantes alterações dos horários, a interrupção do sono, a perda de conectividade e o aumento do 'stress' podem causar cansaço emocional, ansiedade, irritabilidade, dificuldades de concentração e uma sensação de esgotamento, explica.
"Estes efeitos não devem ser menosprezados. As crianças precisam de estabilidade para se desenvolverem. Os adolescentes precisam de espaços para estudar, descansar, manter vínculos e construir projetos a curto e longo prazo", sublinha a ONG.
Reconhecendo que a falta eletricidade, exige um esforço enorme e gera cansaço, preocupação e frustração nas famílias, a Cecodap recomenda aos pais que mantenham algumas rotinas e expliquem o que está a acontecer com uma linguagem adequada à idade das crianças.
A ONG aconselha ainda os progenitores a estarem "atentos a sinais de mal-estar emocional. As alterações persistentes nos padrões de sono, irritabilidade intensa, isolamento, medo excessivo, tristeza prolongada ou dificuldades comportamentais significativas podem indicar a necessidade de apoio adicional", lê-se no comunicado.
