Angra do Heroísmo eterniza legado de Basílio Sousa no Campo Municipal de Ténis

O Campo Municipal de Ténis de Angra do Heroísmo passou a designar-se Campo Municipal de Ténis Basílio Sousa, numa homenagem ao percurso desportivo e associativo de um dos impulsionadores da modalidade na ilha Terceira. Aos 91 anos, o homenageado continua a praticar ténis, mantendo a paixão que o acompanha há várias décadas



Aos 91 anos, Basílio Sousa continua a entrar em campo quase como se o tempo não tivesse passado. Joga ténis quase todos os dias e mantém intacta a paixão pela modalidade que descobriu aos 30 anos e à qual dedicou grande parte da sua vida.

Agora, o seu nome fica também ligado ao espaço onde ajudou a fazer crescer o ténis na ilha Terceira: o Campo Municipal de Ténis de Angra do Heroísmo, que passou a designar-se Campo Municipal de Ténis Basílio Sousa.

A homenagem foi assinalada numa cerimónia que contou com a presença da presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Fátima Amorim, e do restante executivo municipal, realizada no final do Torneio de Ténis de Veteranos – Basílio Sousa, disputado nos dias 25 e 26 de setembro.

Para o homenageado, a atribuição do seu nome ao recinto foi recebida com uma “alegria imensa”, sobretudo por não estar à espera deste reconhecimento.

Basílio Sousa considera que a distinção vai além do seu percurso desportivo, abrangendo também o trabalho associativo realizado ao longo de toda a sua vida.

“Eu ainda hoje pergunto-me, será que eu mereci isso? Mas esta homenagem não foi só pelo desporto. A Câmara foi um bocadinho atrás. Estive na Junta de Freguesia da Sé, onde vivo. Estive na junta 34 anos, 14 como presidente, os restantes como secretário. Dei também o meu tempo ao Rádio Clube de Angra, bastantes anos. Também bastantes anos à Sociedade Recreio dos Artistas. E a Câmara associou tudo isto que eu fiz durante a vida àquela homenagem”, disse Basílio Sousa, em entrevista ao Açoriano Oriental.

A sua ligação ao desporto começou ainda em criança, passando por modalidades como o futebol de 11, futebol de cinco, o futebol de salão e o hóquei em patins. Foi já depois dos 30 anos que descobriu o ténis, a modalidade que viria a marcar o seu percurso.

Entre as memórias mais significativas, recorda a conquista do título de campeão açoriano de ténis, ao lado de António Caiado, Aníbal Borges e Telmo Sales, numa competição disputada em São Miguel.

Basílio Sousa foi também um dos fundadores do Clube de Ténis da Ilha Terceira. Numa fase inicial, sem campos disponíveis, começou por treinar sozinho com uma raquete e algumas bolas, batendo contra uma parede do Lawn Tennis Club.

A paixão pelo ténis levou-o a mobilizar amigos para a prática da modalidade. Mais tarde, com o contributo de António Caiado, então ligado à Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, foi possível conseguir um espaço onde foram construídos dois campos, criando melhores condições para o crescimento da modalidade na ilha.

A criação de uma escola de ténis permitiu dar continuidade a esse trabalho. Dessas aulas guarda recordações que considera especialmente gratificantes. Basílio Sousa conta que ainda hoje encontra antigos alunos que o reconhecem na rua e recordam os momentos passados nos campos, muitos deles já adultos e com filhos.

“Eu nunca fiz ténis a pensar em dinheiro. Dei sempre as minhas aulas de ténis a quem queria, a quem gostasse, sem pensar em dinheiro. E fico feliz por isso, quando fazemos coisas sem interesses, mais tarde recebemos agradecimentos, e isso é bom, é bonito”, afirma.

É também essa dedicação que admite que gostaria de transmitir às gerações mais jovens. Para o homenageado, a honestidade, a capacidade de trabalho e a determinação são fundamentais para alcançar objetivos.

“Sem querer não chegamos a lado nenhum. (...) Querer com muita força, querer com muita paixão. Sem isso é escusado. Porque é entrar por uma porta e sair pela outra”, finalizou Basílio Sousa.

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