Em comunicado, a ALA refere que os dados da atividade turística divulgados pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA) “confirmam o agravamento da quebra” no setor do Alojamento Local da região, que representa mais de 60% da capacidade de alojamento turístico dos Açores e constitui “um dos principais motores da economia local, da reabilitação urbana, da fixação populacional” e “rendimento para milhares de famílias”.
Segundo os números divulgados, o mês de abril de 2026 - primeiro mês completo após a saída da companhia aérea Ryanair da região - registou uma quebra homóloga de 22,1% nas dormidas em alojamento local, acompanhada por uma redução de 24,9% no número de hóspedes face ao mesmo período do ano passado, aponta a ALA.
A ALA, presidida por João Pinheiro, salienta que os indicadores confirmam os alertas que tem vindo a deixar “há vários meses” sobre o abrandamento “preocupante” do turismo açoriano e os impactos “cada vez mais visíveis na economia regional”.
Para a ALA, a quebra “já não pode ser interpretada como uma situação pontual ou sazonal”.
Outro dado considerado “ainda mais preocupante” pela associação é o facto de “37,7% dos estabelecimentos de alojamento local ativos terem declarado não ter registado qualquer movimento de hóspedes durante o mês de abril”, representando “um agravamento de 8,6 pontos percentuais” face ao mesmo período de 2025.
Apesar de reconhecer “o esforço” realizado pela Azores Airlines e pela TAP no reforço de ligações aéreas, a associação entende que a resposta “não está a conseguir compensar a perda de conectividade internacional e a concorrência aérea verificada nos últimos meses”.
A ALA aponta igualmente que a redução da presença de operadores ‘low cost’ e o enfraquecimento do modelo concorrencial estão igualmente a contribuir para “o aumento do custo médio das viagens para os Açores”, tornando o destino “menos competitivo e menos acessível” para muitos mercados emissores internacionais.
Assim, a associação considera urgente que a região avance com medidas concretas e imediatas, começando pelo reforço extraordinário e imediato, através do Orçamento da Região, do investimento na promoção turística externa dos Açores ainda durante 2026, com o objetivo de intensificar a captação de procura para a época baixa, no inverno e arranque da operação turística de 2027.
A associação propõe que o próximo Orçamento da Região passe a prever contratos-programa plurianuais para a promoção turística, permitindo à VisitAzores maior estabilidade e capacidade de planeamento estratégico a médio prazo, à semelhança de destinos concorrentes.
A associação considera ainda fundamental que o Governo Regional avance desde já com os trabalhos preparatórios do regulamento do Fundo de Desenvolvimento de Rotas Aéreas, de forma a garantir a sua rápida operacionalização.
A ALA apela também à VisitAzores, ao Governo Regional e às entidades competentes para intensificarem contactos e negociações com companhias aéreas internacionais, incluindo operadores ‘low cost’.
“A região ainda vai a tempo de inverter esta tendência. Mas, cada mês sem medidas concretas representa mais dormidas perdidas, menos atividade económica e maior pressão sobre centenas de empresas açorianas”, alerta a associação, no comunicado.
