Ceuta

140 organizações alertam para emergência humanitária e crescente tensão

Mais de 140 organizações de solidariedade social espanholas pediram para ser reforçada e acelerada a resposta que está a ser dada a migrantes em Ceuta, alertando que há uma "emergência humanitária" com impacto crescente na vida da cidade



Numa carta dirigida a diversas administrações e promovida por organizações como a Comissão Espanhola de Ajuda ao Refugiado (CEAR) ou o Serviço Jesuíta a Migrantes, 140 instituições dizem que milhares de pessoas continuam em situação de grande vulnerabilidade, incluindo a viver nas ruas, em Ceuta, um enclave espanhol no norte de África com menos de 30 quilómetros quadrados, depois da entrada de mais de 72.000 de forma ilegal nos dias 30 e 31 de julho na cidade.

Estas organizações consideram que a evolução da situação no último mês exige que sejam aceleradas respostas no terreno, assim como um aumento de recursos e uma melhor coordenação das diferentes administrações envolvidas.

"A emergência humanitária está também a ter um impacto crescente na cidade e na sua convivência, num contexto em que diversos intervenientes estão a aproveitar a situação para alimentar a tensão social, a islamofobia e a rejeição em relação aos migrantes", defendem.

Estas organizações estimam que cerca de 10.000 pessoas que entraram ilegalmente na cidade no final de julho continuem em Ceuta, sendo que muitas delas estão a viver nas ruas.

Entre essas pessoas há menores sozinhos, mulheres e meninas vítimas de violência, possíveis vitimas de tráfico de seres humanos e solicitantes de proteção internacional, entre outras, realçam.

Além de pediram mais recursos no terreno e maior agilidade na resposta, estas organizações defendem maior clareza sobre a forma como está a ser aplicado em Ceuta o Pacto Europeu de Migração e Asilo, tanto a nível de procedimentos como de prazos.

A crise em Ceuta começou no final de julho quando, em poucas horas, ultrapassaram a fronteira cerca de 70 mil pessoas vindas de Marrocos.  

Após mais de um mês, há uma tensão crescente na cidade com episódios como os ocorridos na última noite, quando mais de 40 tendas que albergavam migrantes foram incendiadas, tendo-se registado fogos em outros pontos do território que destruíram oito automóveis e contentores de lixo.

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