Zonas de pesca comercial sobrepõem-se às áreas de importância ecológica dos tubarões


 

Lusa/AO online   Ciência   24 de Jul de 2019, 18:32

Uma equipa internacional, em colaboração com investigadores do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO-InBIO), concluiu que as zonas de pesca comercial em mar aberto se sobrepõem às áreas de importância ecológica para os tubarões.

Em comunicado, o CIBIO-InBIO explica que a investigação, publicada na revista Nature, visava "avaliar com mais detalhe o impacto da pesca industrial sobre os tubarões pelágicos", uma vez que muitas destas populações, como o tubarão-azul, anequim e o tubarão-branco, estão a "decrescer".

"Quase metade das espécies encontra-se ameaçada de extinção", afirma o centro de investigação da Universidade do Porto, adiantando que foi por esse motivo que investigadores de mais de 100 instituições científicas se "juntaram" e fizeram um "mapeamento global" dos oceanos e das zonas onde os tubarões se podem refugiar da pesca comercial.

Através de dispositivos de localização via satélite, os investigadores seguiram os movimentos de 1.681 tubarões pelágicos de grande porte (representantes de 23 espécies) e, a partir dos sistemas de segurança e anticolisão acompanharam os movimentos das embarcações de pesca comercial.

Foi com base nesta análise comparada que os investigadores concluíram que as zonas de pesca comercial em mar aberto se "sobrepõem" às áreas de importância ecológica para os tubarões, o que pode aumentar o risco de extinção, especialmente dos tubarões migratórios de grande porte.

Citado no comunicado, Nuno Queiroz, o primeiro autor do artigo, explica que, numa média mensal, "24% do espaço utilizado pelos tubarões coincide com as zonas de pesca comercial, as quais são responsáveis pela captura da maioria dos tubarões pelágicos".

"Já as áreas do oceano frequentadas por espécies ameaçadas de extinção apresentam uma taxa de sobreposição ainda maior com as zonas de pesca, podendo alcançar 76% do espaço utilizado pelos tubarões, como é o caso do tubarão-azul do Atlântico Norte, espécie de grande interesse comercial", adianta.

O estudo conclui ainda que algumas das áreas oceânicas de "maior importância para os tubarões estão expostas a taxas de pesca mais intensa", o que leva os investigadores a proporem uma "delimitação das grandes áreas de proteção marinha em redor dos habitats de maior importância" de forma a proteger estes tubarões.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.