O fotógrafo Jorge Barros, nascido em Alcobaça, no distrito de Leiria, em outubro de 1944, morreu no dia 26 de maio, em Lisboa, aos 81 anos.
Na apresentação do voto de pesar, o deputado do PPM, João Mendonça, lembrou que a vida e obra de Jorge Barros “constituem um legado de inestimável valor para a cultura portuguesa e para a preservação da memória coletiva” do país.
“Ao longo de mais de quatro décadas de atividade, percorreu incansavelmente Portugal continental e insular, registando pessoas, paisagens, tradições, crenças e modos de vida que ajudam a compreender a identidade profunda do povo português”, disse.
Segundo o parlamentar, a sua obra “distinguiu-se por um olhar simultaneamente documental e poético” e “mais do que fotografar lugares ou acontecimentos, Jorge Barros procurou captar a alma das comunidades, a dignidade das pessoas comuns e a beleza dos gestos quotidianos”.
“Foi um fotógrafo humanista, atento aos rostos, aos olhares e às histórias daqueles que tantas vezes permanecem ausentes dos grandes relatos históricos, mas que constituem a verdadeira essência de uma nação”, acrescentou.
A sua fotografia, assinalou, constituiu, simultaneamente, “uma criação artística de elevado valor estético e um testemunho histórico e antropológico de extraordinária relevância”.
“As suas imagens documentam transformações sociais, modos de vida em desaparecimento e práticas culturais que fazem parte do património material e imaterial de Portugal”, afirmou.
Nos muitos territórios que fotografou, os Açores ocuparam um lugar “muito especial” na sua vida e no seu percurso artístico.
“Fascinado pela singularidade da cultura açoriana, pela força das comunidades insulares, pela relação com o oceano e pela riqueza das manifestações religiosas e populares, Jorge Barros produziu algumas das mais significativas representações visuais dos Açores dos séculos XX e XXI”, disse João Mendonça.
Com o desaparecimento de Jorge Barros, Portugal “perde um dos seus mais relevantes fotógrafos e um dos maiores intérpretes da sua identidade cultural”, vincou.
Jorge Barros trabalhou com companhias de teatro como a Comuna, A Barraca e O Bando, foi assessor técnico da XVII Exposição de Arte, Ciência e Cultura, trabalhou em cinema e televisão, com realizadores como Rui Simões, Luís Galvão Teles e Fernando Lopes, e na imprensa para publicações como Atlantis, Egoísta e Jornal de Letras, Artes e Ideias.
Foi formador em fotojornalismo no Cenjor e pertenceu à direção da Sociedade Portuguesa de Autores, entre 2003 e 2006.
Entre os seus livros constam "Um Olhar Português", "Mineiros", "Festas e Tradições" e "Sob a Terra", aguardando-se a publicação da sua derradeira obra, "Espantalhos e Campos".
Em entrevista ao JL, em 2024, disse que, na fotografia, procurou sempre “o encanto que é o milagre da vida, nos gestos, rostos e olhares das pessoas". Na introdução ao livro "Ilhas Desconhecidas", escreveu: "O amor para com os outros é o melhor de nós”.
