Vendas de medicamentos anti-tabaco baixam em Portugal

Vendas de medicamentos anti-tabaco baixam em Portugal

 

Lusa/AO Online   Nacional   29 de Dez de 2008, 09:11

As vendas de medicamentos e produtos anti-tabaco nas farmácias diminuíram cerca de 15 por cento entre 2007 e 2008, numa comparação entre Janeiro e Outubro de ambos os anos, segundo a consultora IMS Health.
 De 252.526 unidades comercializadas exclusivamente em farmácias de Portugal continental nos primeiros 10 meses de 2007 passou-se para 214.788 no mesmo período em 2008.

    Os dados indicam uma queda de 21 por cento entre 2006 e 2007. A comercialização baixou de 320.508 para 252.526 unidades, também numa comparação entre Janeiro e Outubro.

    Entre 2007 e 2008, os valores em euros diminuíram de cerca de 6,5 milhões de euros para 6 milhões de euros.

    Comentando a comparação do último ano, em que a nova lei do tabaco entrou em vigor, o investigador António Vaz Carneiro sublinhou que a cessação tabágica tem que ser avaliada através de vários factores e que a simples prescrição não é sinónimo de sucesso.

    "A cessação tabágica depende das intervenções que potencialmente os médicos e as pessoas podem estar a fazer e que podem ser outro tipo de abordagens diferentes das farmacológicas, como as psicológicas", notou à Agência Lusa.

    O director do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência, da Faculdade de Medicina de Lisboa, também lembrou que os doentes nem sempre compram os medicamentos receitados, que há alguns que não os tomam ou que o fazem de forma incorrecta, pelo que as estatísticas têm que ser complementadas com outros dados.

    Nessa lista teriam que estar, por exemplo, dados por idade, sexo e doenças, assim como dados sobre o número de ex-fumadores e taxas de doenças relacionadas com o tabagismo.

    "Parece que as vendas estabilizaram e não se extrai destes dados nenhuma conclusão positiva ou negativa do impacto da lei", considerou, acrescentando que a cessação não passa apenas pelas consultas ou medicamentos.

    Também face a uma lei que na "sua definição tem sempre efeitos positivos", os fumadores que consomem entre seis a 10 cigarros por dia deverão estar a deixar o vício espontaneamente face aos limites de fumar em público.

    Vaz Carneiro admitiu, porém, que as vendas possam subir até ao final do ano.

    Também o relatório a divulgar pela Direcção-Geral da Saúde sobre o impacto da lei do tabaco irá possibilitar mais conclusões, previu.

    O economista Miguel Gouveia classificou, por seu lado, de “ainda mais surpreendente” a comparação entre 2006 e 2007, por ter havido uma “redução substancial em quantidade e em valor”, ou seja “os dados recentes constituem de algum modo uma continuação da tendência”.

    Além de se poder atribuir parte da diminuição à crise, “isso não deverá ter tido um papel primordial, dado que a redução já vem de trás”.

    Também afastada poderá estar a hipótese de subida de preço médio de embalagem, já que a descida de vendas entre 2006 e 2007 “ocorreu ao mesmo tempo que o preço médio por embalagem desceu”.

    “Podemos estar perante duas situações diferentes: uma é que o número de portugueses a tentar deixar de fumar se reduziu, o que poderá ser um factor cíclico, já que a economia e política têm levado as pessoas a sentirem-se inquietas ou nervosas, situação em que o tabaco funciona normalmente como escape”, referiu.

    O economista acrescentou à Lusa que outra possibilidade é o número de pessoas a tentar deixar de fumar continua elevado, “mas que os que mais confiavam nos instrumentos terapêuticos, incluindo medicamentos, já os usaram e que os fumadores restantes são mais renitentes a confiar na eficácia das intervenções médicas”.

    “Se esta ideia for válida, deverá haver uma correlação entre quedas no consumo de medicamentos anti-tabaco e o uso de outras intervenções, como seja o seguimento em consultas de cessação tabágica”, concluiu.

    A lei que restringiu o fumo do tabaco nos locais de trabalho e recintos públicos fechados entrou em vigor a 01 de Janeiro deste ano.

   


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