Em declarações aos jornalistas, na Assembleia da República, poucos minutos depois do final do debate na generalidade da proposta do Governo de revisão da legislação laboral, Mário Mourão afirmou que a convocação de uma greve geral “é algo que está sempre presente”, não estando excluída pela UGT, mas sublinhou que “ainda há tempo” para outras ações antes dessa.
“Amanhã vão seguir as cartas a pedir as audiências aos partidos políticos, porque foi um dos compromissos que assumimos, vamos fazer essa ronda junto dos partidos que nos receberam, porque provavelmente outros não nos receberão, e, portanto, depois a seguir vamos definir qual as lutas que vamos adotar”, exemplificou.
O líder da UGT sublinhou que, mesmo que a proposta seja aprovada na generalidade esta sexta-feira, segue-se uma discussão na especialidade que a central sindical vai observar e defendeu que a luta será, por isso, feita “em crescendo”.
De recordar que após se ter juntado à greve geral de 11 de dezembro, a UGT optou por não aderir à paralisação de 3 de junho convocada pela CGTP, argumentando, na altura, que era "extemporânea". Não excluiu, contudo, avançar com uma nova paralisação mais perto da data de o documento ser votado no Parlamento, sem indicar se seria na generalidade ou na votação final global.
Questionado sobre se o resultado da votação de sexta-feira ditará o avanço de uma nova greve geral, Mário Mourão insistiu que a “UGT vai continuar a sua luta com ponderação, com prudência, seguindo os passos que têm de ser seguido gradualmente”.
O líder da UGT criticou ainda as mudanças de posição do Chega e disse acreditar que a vontade do partido de André Ventura é viabilizar o diploma do Governo esta sexta-feira.
“O ‘não é não’ já foi passado, agora o futuro e o presente é o ‘sim é sim’. Não tenho dúvidas, daquilo que eu me apercebi é da preparação de um cenário para aprovar a lei, tal como o Governo apresentou. Aliás, quem vai mudar é o Chega, não é o Governo, o Governo vai manter as suas traves mestras, mas o Chega vai ter que mudar para viabilizar, porque é essa a vontade que o Chega tem neste momento”, frisou.
O secretário-geral da UGT acusou também o Chega de fazer "piruetas para se adaptar a um discurso de aprovação" da proposta do executivo para a o Código do Trabalho.
Mário Mourão fez ainda uma leitura negativa da sessão plenária desta tarde, afirmando ter ficado "muito confuso" e que se tratou de um "espetáculo muito degradante da democracia".
