A escolha de Luís Neves para ministro da Administração Interna (MAI) foi recebida de forma positiva pelos representantes açorianos dos sindicatos da polícia, destacando o trabalho realizado pelo antigo diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ).
Apesar da surpresa que foi o nome escolhido pelo primeiro-ministro para suceder a Maria Lúcia Amaral, Luís Neves colhe simpatia junto do SINAPOL e da ASPP-PSP.
Para António Santos, do SINAPOL, Luís Neves “é amplamente reconhecido como um excelente profissional enquanto polícia e graças a ele a PJ alcançou resultados nunca antes alcançados em termos de reconhecimento além fronteiras”. O sindicalista sublinha ainda a postura reconciliadora e dialogante que manteve enquanto Diretor Nacional da PJ.
Santos espera que o novo MAI se mantenha fiel às declarações que fez, em 2024, quando, durante as manifestações das polícias, afirmou que a PSP e GNR deviam ser reconhecidas pelo poder político pois eram mal pagas.
“Sendo assim, esperamos que inicie já as reuniões com os sindicatos e tenha um diálogo franco, aberto e sincero como lhe é reconhecido a fim de as diversas matérias previstas e necessárias serem discutidas o sejam o mais rapidamente”, afirmou, apontando questões como a revisão estatutária, a revisão da tabela remuneratória, a revisão dos suplementos remuneratórios e o rejuvenescimento do efetivo, através de uma PSP mais atrativa.
Quanto às reivindicações dos Açores, António Santos espera que Luís Neves assegure o reforço necessário e imediato do efetivo da PSP “e que não fiquemos atrás da polícia municipal de Lisboa e Porto, que cada uma irá contar com o reforço de 100 e de 80 polícias respetivamente”.
Já para Paulo Pires, da ASPP-PSP, o facto de Luís Neves ter sido diretor nacional da PJ dá-lhe todos os ingredientes para um bom desempenho na função. “Só falta saber se vai ter a força política suficiente para implementar mudanças estruturais e importantes, ou se vai apenas ser mais um para ocupar um lugar político”.
O sindicalista mostra-se expectante sobre o futuro MAI, reconhecendo que existe diversos problemas para resolver no seio da PSP, em geral, e os existentes no arquipélago, em particular.
“O novo ministro não pode nem deve se esquecer do Comando Regional dos Açores da PSP e dos problemas muito específicos que os polícias encontram na Região Autónoma dos Açores, para desempenharem diariamente as suas funções, sempre com o objetivo da segurança da população. Desejo que tenha a sorte e a destreza para encontrar as melhores soluções”.
