Na comparação entre 2011 e 2024, São Miguel foi a única ilha dos Açores a melhorar a sua posição relativa ao Produto Interno Bruto (PIB) per capita face à média da Região.
Em declarações ao Açoriano Oriental, o economista e presidente da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade dos Açores (UAc), João Teixeira, explica que, em 2011, o indicador de São Miguel correspondia a 105% da média açoriana, valor que aumentou para 109% em 2024.
Esta evolução mostra que há uma crescente concentração da atividade económica e da riqueza gerada em São Miguel, acompanhando o dinamismo económico impulsionada, entre outros fatores, pelo maior crescimento do turismo. Além disso, a maior atratividade para imigrantes, que contribui para dinamizar o consumo privado, e a maior concentração do investimento privado também impulsiona São Miguel.
Contudo, o economista alerta para os problemas. “Todas as outras ilhas baixaram a sua posição em relação à média regional e , portanto, divergiram da média regional”, afirma.
Em 2011, quatro ilhas registavam um PIB per capita superior à média regional: São Miguel, Faial, Santa Maria e Corvo.
João Teixeira ressalva, todavia, que Santa Maria tem um PIB per capita influenciado pela forma como são contabilizados os rendimentos associados à gestão do controlo de tráfego aéreo e ao aeroporto, apresentando limitações enquanto indicador comparativo. Já o Corvo apresenta uma dimensão populacional muito baixa, o que implica cautela na análise dos dados da ilha.
O economista salienta, ainda, que estes dados ainda não constam com a atualização populacional realizada recentemente.
Comparando a Região com o país, o entrevistado destaca a evolução positiva entre 1995 e 2009, com o PIB per capita regional a passar de 78% para 91% da média nacional. Segundo explica, 2009 foi o ano com maior aproximação da média nacional.
João Teixeira recorda a crise financeira e a intervenção da troika que afetaram a economia da Região a partir de 2011. Desde então, os Açores apresentaram dificuldades em apresentar um crescimento económico superior ao da média nacional.
Em 2024, o PIB per capita dos Açores correspondia a cerca de 88% da média nacional, um valor semelhante ao de 2018.
Três ilhas da Região abaixo dos 80% em 2024
O economista refere que em 2024 havia três ilhas da Região Autónoma dos Açores com um PIB per capita abaixo dos 80% da média regional: Graciosa (76%), São Jorge (77%) e Pico (76%).
Esta situação, segundo explica, contrasta com a situação vivida em 2011, quando nenhuma ilha se encontrava com um PIB per capita inferior a 80% da média regional. Na altura, a Graciosa contabilizava um PIB per capita equivalente a 83% da média, São Jorge a 84% e o Pico a 87%.
O presidente da Faculdade de Economia e Gestão da UAc explica que o caso do Pico merece uma particular atenção, porque foi a única ilha, segundo a análise apresentada, cuja população aumentou durante o período em causa, dado que o SREA ainda não divulgou os novos valores do PIB.
Reforçar coesão económica
“Não queremos uns Açores a várias velocidades”, salienta João Teixeira. O economista refere que a coesão interna em termos económicos é também fundamental para o desenvolvimento económico regional.
Com muitas ilhas a não acompanhar o dinamismo económico de São Miguel, o economista salienta que isso poderá ter várias consequências, entre as quais: menor capacidade de atração de investimento; dificuldade em criar emprego e oportunidades económicas; menor atratividade para novos residentes; agravamento dos problemas demográficos e das desigualdades territoriais.
Para o economista, a solução não passa por reduzir o investimento em São Miguel, mas por criar condições para que as restantes ilhas também consigam crescer e aproximar-se da média regional. João Teixeira refere que o turismo continuará a ser importante para a economia da Região, mas alerta que há riscos de uma dependência excessiva deste setor.
Medidas para o futuro
Para o futuro, com o objetivo de reforçar a competitividade económica dos Açores, João Teixeira salienta que há várias áreas estratégicas, entre as quais: economia do mar e economia azul; ciência, tecnologia e inovação; setor espacial; a inteligência artificial e novas tecnologias.
O economista defende a formação de recursos humanos capazes de trabalhar em setores mais exigentes e refere que os novos setores exigem uma estratégia a longo prazo.
