Região acompanha tendência de elevadas taxas de cesarianas

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que a percentagem anual de cesarianas ronde os 10 a 15% do total de partos. No entanto, só no Hospital do Divino Espírito Santo o número de cesarianas que foram realizadas em 2025 corresponde a 49%.




A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que a percentagem anual de cesarianas deve rondar os 10 a 15% do total de partos. No entanto, só no Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) o número de cesarianas que foram realizadas em 2025 corresponde a 49%.

De janeiro a dezembro do ano passado, dos 1.179 partos, 580 foram  cesarianas. Este número significa que quase metade dos partos feitos no hospital de Ponta Delgada são cesarianas e a outra metade corresponde a partos eutócicos (parto normal).

Por comparação, em 2024, onde 475 dos 1.080 bebés nasceram de cesariana no HDES, a taxa nesse ano foi de quase 44%.

No relatório e contas a que o Açoriano Oriental teve acesso, este aumento é uma das consequências diretas do incêndio que deflagrou na unidade hospitalar  de Ponta Delgada em maio de 2024, onde 60 utentes foram transferidas para o Hospital do Santo Espírito, na ilha Terceira.

Todavia, tanto em 2025 como em 2024, a percentagem de cesarianas realizadas na Região Autónoma dos Açores é quase o triplo do que a OMS recomenda.

Na Terceira a realidade não difere muito do que acontece em São Miguel. Dos 459 partos realizados no Hospital do Santo Espírito (HSEIT), 193 foram cesarianas. Estas 193 cesarianas correspondem a uma diminuição de 6,6 pontos percentuais face a 2024. Contudo, em 2025 não se verificou o reencaminhamento de 60 utentes para o HSEIT, fruto do incêndio no HDES, como aconteceu em 2024. Mesmo assim, a percentagem de cesarianas realizadas na ilha Terceira é de 42%.

A tendência para uma elevada taxa de cesarianas efetuadas na Região também se verifica no Hospital da Horta (HH). Segundo o relatório e contas, em 2025, 243 mães tiveram partos medicamente assistidos nesta unidade hospitalar, sendo que 77 ou 31,69% dos partos foram  cesarianas.

No ano anterior, 2024, nesse hospital nasceram menos 34 bebés e, apesar desta diminuição de nascimentos, a taxa de cesarianas apenas diminuiu um ponto percentual (30,62%).

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), em território nacional, registaram-se 87.130 partos e, desde 1999 que o número de partos distócicos tem vindo a aumentar, passando de 27.1%  para 39% do total. Por partos distócicos entende-se o parto efetuado com a utilização de instrumentos como o fórceps, ventosa ou por cesariana.

Quanto aos motivos que podem estar a contribuir para  taxas tão elevadas de cesarianas em todo o território português, o INE explica : “os dados revelam que nos últimos 20 anos, a idade das parturientes tem aumentado: entre 2003 e 2025, a proporção de partos de mães com 35 ou mais anos passou de 17,2% para 32%”.

Quanto mais avançada for a idade da mulher, a probabilidade de complicações na gravidez e parto aumentam, fator que pode estar por detrás destes números.

De modo a reduzir o número de cesarianas realizadas, não só em Portugal, mas também um pouco por tudo o mundo (a tendência no aumento deste tipo de partos predomina em países desenvolvidos e, em sentido inverso, em países em desenvolvimento), a  OMS  recomenda  “ações para capacitar mulheres e famílias, com o objetivo de melhorar o diálogo com os profissionais médicos e facilitar uma decisão informada”.

Normas clínicas, auditorias  e recolha de informação junto dos profissionais de saúde, são outras recomendações que a OMS sugere e que visam diminuir o número de cesarianas  efetuadas.

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A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que a percentagem anual de cesarianas ronde os 10 a 15% do total de partos. No entanto, só no Hospital do Divino Espírito Santo o número de cesarianas que foram realizadas em 2025 corresponde a 49%.