Crise Financeira

PSI20 cai mais de 6 por cento arrastado pela banca

PSI20 cai mais de 6 por cento arrastado pela banca

 

Lusa/AOonline   Economia   6 de Out de 2008, 15:14

A bolsa de Lisboa vive a maior perda dos últimos quatro anos, com o índice PSI20 a cair mais de 6 por cento, arrastado pelas descidas da banca e a acompanhar a tendência negativa das principais praças internacionais.
Às 13h23, o PSI20 caía 6,32 por cento para 7227,85 pontos, pressionado pelas fortes perdas da banca, com o BCP a cair 9,29 por cento, o BES a descer 8,69 por cento e o BPI a desvalorizar 7,76 por cento.

    Os bancos acompanham assim a tendência dos seus congéneres europeus, quando se adensam os receios em relação aos efeitos no sector da crise do mercado de crédito, com o governo alemão a ver-se forçado a intervir para salvar da falência o banco Hypo Real Estate.

    Para os analistas, torna-se agora óbvio que a aprovação do Plano Paulson pela Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, na sexta-feira, não foi suficiente para resolver a crise e que a volatilidade das bolsas apenas desaparecerá quando o mercado de crédito interbancário voltar a funcionar normalmente.

    "A aprovação do Plano Paulson ajuda a acalmar os mercados, mas não é suficiente para restaurar a confiança no mercado de crédito entre os bancos", disse um 'trader' de um banco de investimento nacional, que por política da instituição não se pode identificar.

    "O dinheiro existe, mas é preciso restaurar a confiança entre os bancos. Os bancos não confiam uns nos outros", acrescentou o operador, defendendo que "ajudava imenso uma intervenção do BCE, a nível das taxas de juro, a par de uma acção concertada por parte dos governos europeus a garantirem a solvabilidade da banca".

    "O objectivo das intervenções que tiveram lugar nas últimas semanas por parte dos bancos centrais e autoridades financeiras foi restaurar a confiança nos mercados de crédito. Até agora todas falharam. Os bancos não confiam uns nos outros e por isso não emprestam dinheiro uns aos outros", afirmou à agência Lusa Giambattista Chiarelli, director de uma unidade de gestão de activos do banco suíço Pictet.

    "Duvido, no entanto, que as autoridades permitam o colapso do mercado de crédito, pois as implicações de longo prazo para a economia 'real' seria de longe mais custosa do que qualquer intervenção que hoje tenha lugar", acrescentou.

    Certo é que "a recuperação do mercado apenas poderá acontecer quando os mercados de crédito voltarem a funcionar", concluiu o banqueiro, que considera que medidas como as recentemente anunciadas pela Irlanda e pela Alemanha - cujos governos anunciaram que garantem os depósitos dos clientes dos bancos - poderão ajudar a devolver a confiança ao mercado.

    Na bolsa, a banca não é a única a registar desvalorizações significativas. As construtoras Mota-Engil e Teixeira Duarte desvalorizam mais de 6 por cento, penalizadas pelas perspectivas de dificuldades acrescidas no financiamento bancário (que pode conduzir ao adiamento das grandes obras públicas previstas para 2009).

    A liderar as perdas está a Galp, com uma queda de 12 por cento, no dia em que foi publicada uma notícia que dá conta que a petrolífera liderada por Ferreira de Oliveira deverá investir 11 mil milhões de euros no Brasil nos próximos anos.

    Em comunicado à Comissão de Mercados e Valores Mobiliários, na sequência da referida notícia, a empresa esclareceu que não é ainda conhecido o montante que será investido naquele país de expressão portuguesa.

    Na Europa, as principais bolsas seguem no 'vermelho', com Paris a cair 5,40 por cento, Madrid a perder 3,77 por cento, Frankfurt a descer 4,93 por cento e Londres a desvalorizar 4,90 por cento.

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