“A região está à deriva no que respeita à estratégia para o turismo, e a prova disso são os sinais que já hoje se fazem sentir e os riscos que daí decorrem para os próximos anos”, afirmou o líder parlamentar do PS/Açores, citado num comunicado.
Berto Messias considerou que os indicadores turísticos “demonstram uma inversão preocupante na trajetória do setor”, tratando-se de uma “enorme regressão” para o turismo na região.
“Estamos a regredir vários anos no turismo por incapacidade do Governo Regional”, criticou.
Os Açores registaram, pelo nono mês consecutivo, uma descida no número de dormidas em alojamentos turísticos, em junho, com uma quebra de 3,8% face ao período homólogo, segundo dados revelados a 31 de julho pelo Serviço Regional de Estatística (SREA).
O socialista exigiu “mais firmeza, proatividade e visão estratégica” ao Governo dos Açores e defendeu o regresso das companhias aéreas de baixo custo e a atualização do plano estratégico como prioridades para o setor.
“O regresso das companhias 'low-cost' [baixo custo] aos Açores, a implementação de um mecanismo eficaz de captação de novas rotas e um amplo diálogo com os parceiros do setor para atualizar o Plano Estratégico e de Marketing do Turismo dos Açores têm de ser prioridades do Governo Regional”, defendeu.
Para criticar a “incapacidade” do governo açoriano, o líder da bancada do PS na Assembleia Regional salientou que o “fim da operação da Ryanair” na região foi um “erro gravíssimo” e lamentou as “sucessivas indefinições quanto ao futuro da Azores Airlines”.
Berto Messias visou, também, a “lentidão e falta de proatividade” na implementação do mecanismo de captação de novas rotas, o “evidente desequilíbrio na oferta de voos de e para o exterior da região, a falta de “diálogo com os parceiros do setor” e a ausência de “clareza quanto a uma estratégia de promoção externa”.
“Tudo isto faz com que um dos mais importantes setores da nossa economia esteja em abrandamento, em plena época alta, uma situação que é completamente contrária ao que seria expectável e que não faz qualquer sentido”, insistiu.
Segundo o SREA, em junho, no “conjunto dos estabelecimentos de alojamento turístico (hotelaria, alojamento local e turismo no espaço rural) dos Açores registaram-se 506,4 mil dormidas, valor inferior em 3,8% ao registado no mês homólogo”.
Esta é a nona descida homóloga consecutiva no número de dormidas em alojamentos turísticos na região, de acordo com os resultados preliminares de junho.
No primeiro semestre de 2026, os Açores somaram 1,8 milhões de dormidas em alojamentos turísticos (-4,6%) e 578,4 mil hóspedes (-3,6%).
Em junho, a região contabilizou 151,3 mil hóspedes (-1,8%), com uma estada média de 3,35 noites (-2%).
A redução de dormidas no arquipélago segue uma tendência contrária à verificada a nível nacional, já que o país cresceu, em média, 0,7% em junho e 1,3% no primeiro semestre do ano, segundo o relatório do SREA.
