Açores e Catalunha querem cooperar na economia azul e na proteção dos oceanos

Os Açores e a Catalunha querem cooperar com projetos concretos nas áreas da economia azul e da proteção dos oceanos, foi assumido num fórum internacional, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira



"A Catalunha encontra nos Açores um parceiro estratégico empenhado em construir pontes sólidas de cooperação científica, tecnológica, económica e social”, afirmou o vice-presidente do Governo Regional dos Açores, Artur Lima.

“Podemos criar pontes entre o Atlântico e o Mediterrâneo, podemos ligar investigadores, aproximar empresas, desenvolver projetos europeus, partilhar dados e conhecimento, podemos também experimentar novas soluções para a descarbonização, para a economia azul, para a biodiversidade e para a digitalização dos nossos portos”, destacou o delegado do Governo da Catalunha em Portugal, Rui Reis.

Os representantes das duas regiões falavam na sessão de abertura do fórum internacional “Oceanos Inteligentes: Sustentabilidade, Tecnologia e Crescimento Económico”, que decorre até terça-feira, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.

O vice-presidente do executivo açoriano, que tutela as áreas da Ciência, Inovação e Desenvolvimento, referiu que, apesar de distantes, as duas regiões estão unidas pela “aposta no conhecimento” e pela “convicção de que a transição para uma economia sustentável se constrói cada vez mais em rede”.

“A proteção da biodiversidade marinha e o desenvolvimento das tecnologias emergentes aplicadas aos oceanos não admitem respostas isoladas. Exigem alianças internacionais robustas, cooperação e políticas públicas esclarecidas”, frisou.

Artur Lima sublinhou que os Açores “não são apenas um vasto território marítimo”, mas “uma região de excelência para a inovação, para a sustentabilidade e para a investigação”.

“Aqui nos Açores assumimos, sem hesitações, à nossa dimensão, obviamente, a nossa responsabilidade no cumprimento das metas globais de sustentabilidade. Queremos ser pioneiros na motorização marinha, na descarbonização das infraestruturas portuárias e na capacitação das nossas comunidades costeiras”, reforçou.

O governante disse esperar que, do encontro que decorre em Angra do Heroísmo, saiam “soluções concretas” para proteger o mar e para impulsionar a economia das duas regiões.

A ideia foi partilhada pelo delegado do Governo da Catalunha, que considerou que o fórum deve ser “o ponto de partida para novas iniciativas de cooperação”.

“Que os Açores e a Catalunha deixem de ser apenas dois territórios separados pela geografia e passem a ser dois territórios ligados por uma agenda comum para o oceano. Uma agenda baseada em conhecimento, em inovação, em sustentabilidade e em cooperação europeia, porque o futuro do oceano será também o futuro da Europa. E a Europa será mais forte se souber transformar a diversidade dos seus territórios numa força comum”, apontou.

Rui Reis salientou que o oceano é visto pelos dois territórios como “um espaço de conhecimento, de inovação e de oportunidades económicas”, defendendo uma maior cooperação entre governos, universidades e empresas.

“Os Açores têm uma posição absolutamente singular no Atlântico, uma extraordinária riqueza natural e científica e uma experiência única enquanto território insular e oceânico. A Catalunha dispõe de um ecossistema muito desenvolvido de ciência, tecnologia, inovação, indústria e atividade portuária, com Barcelona como uma das grandes portas marítimas do Mediterrâneo. Temos, portanto, experiências diferentes, mas complementares. E não devemos olhar para essa complementaridade como uma diferença, devemos transformá-la numa vantagem”, vincou.

O fórum “Oceanos Inteligentes: Sustentabilidade, Tecnologia e Crescimento Económico” reúne em Angra do Heroísmo representantes das duas regiões.

Entre os oradores dos Açores destacam-se os diretores regionais das Políticas Marítimas e da Ciência, Inovação e Desenvolvimento, a Universidade dos Açores, o Okeanos, a Blue Azores, o Terinov, o Nonagon, a Lotaçor, a Portos dos Açores e o Observatório dos Ecossistemas e Infraestruturas Digitais.

A delegação da Catalunha integra a BlueNetCat, o Port de Barcelona, o Ports de la Generalitat, a Fundació Barcelona Capital Nàutica e a DETA – Disruptive & Emerging Technology Alliancee.

Também o Centro Colaborativo da Década do Oceano das Nações Unidas para uma Economia Oceânica Sustentável está representado nesta iniciativa.


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