Polo Museológico do Coliseu Micaelense reabre ampliado e remodelado

O Polo Museológico do Coliseu Micaelense, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel (Açores), reabriu hoje ampliado e remodelado, após uma década encerrado, para proporcionar aos visitantes uma “verdadeira viagem no tempo”.




O espaço abriu as portas ao público pela primeira vez a 10 de maio de 2007, por ocasião da comemoração do 90.º aniversário da inauguração da “maior casa de espetáculos dos Açores” e fechou em 2016, segundo a presidente do conselho de administração do Coliseu Micaelense, Cila Simas.

Entre 2024 e 2025, foi efetuada uma investigação que permitiu “recolher mais de 600 documentos” sobre o complexo cultural, adiantou.

Assim, como a informação e as memórias do Coliseu “precisavam de uma casa estruturada”, o espaço museológico foi dividido em 14 secções distintas que levam o visitante “a uma verdadeira viagem no tempo”.

“Desde Ponta Delgada antiga, os nossos fundadores [do Coliseu], passando pela magia do cinema, do circo, do teatro, até aos icónicos grandes bailes de Carnaval e de Réveillon, sem esquecer as grandes figuras que pisaram o nosso palco”, disse Cila Simas.

No discurso inaugural, acrescentou que na renovação há espaços que “tocam de forma muito particular”, a começar pela primeira secção “inteiramente dedicada ao ator mais velho do mundo e ativo”, Rui de Carvalho, que ali apresentou a peça “Rui de Carvalho uma História de Vida”.

O Polo Museológico do Coliseu Micaelense também inclui, entre outras, secções dedicadas ao arquivo discográfico e literário (vinis e livros), “os primeiros tempos” (fotografias e objetos) e sobre os “grandes” atores e artistas que por ali passaram, destacando também José Pracana e a fadista Amália Rodrigues.

No espaço museológico que ocupa o último anel (a galeria) da sala principal do edifício, também existem zonas dedicadas ao cinema (fotos de artistas, antigas máquinas de projetar e bobines) e à história do edifício, com vários tipos de cadeiras antigas, onde as pessoas se podem sentar e visualizar um documentário.

O secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, que esteve na inauguração, valorizou o projeto por considerar “muito importante” perpetuar memórias.

Em declarações à agência Lusa, lembrou que a Cultura “define e demonstra como é que um povo se revê e reconhece ao longo de determinado tempo e ao longo da vida e de cada época”, salientando que “o ato de criação cultural em determinada época é diferente do ato de criação cultural numa outra época”.

“E, por isso, vermos aqui um polo museológico que faz esta retrospetiva, conta uma história - e uma história já mais do que centenária da vida desta instituição -, por onde passaram grandes artistas multidisciplinares, desde o teatro ao circo, à música, ao próprio convívio da população desta comunidade, eu acho que é, na verdade, uma decisão muito relevante da administração deste Coliseu”, disse.

Na sua opinião, o espaço vai permitir que, sobretudo as novas gerações, “possam conhecer a sua própria história […] através da cultura das manifestações culturais” retratadas.


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