Papa/Angola: Leão XIV falou kimbundu e exortou jovens a construírem mundo sem guerras

O Papa Leão XIV exaltou em kimbundu – língua angolana – a figura de Maria, rezou pelos doentes, idosos e crianças e exortou os jovens a construírem um mundo melhor, acolhedor, sem guerras, injustiças e miséria.



Leão XIV presidiu hoje à oração do terço no Santuário da Muxima, vila de devoção mariana, com a presença de milhares de peregrinos que o acolheram com cânticos, louvores e alegria no segundo dia de visita apostólica a Angola.

Pouco depois das 16:30 minutos e Leão XIV chegava de helicóptero à Vila da Muxima, em requalificação, e foi posteriormente acolhido à porta da antiga igreja do santuário (já reabilitada), onde permaneceu por alguns minutos em oração silenciosa.

Depois, a bordo de um “papamóvel” circulou em volta da praça de peregrinos, onde saudou os fiéis, que, bastantes eufóricos, respondiam com satisfação a cada aceno do Pontífice Romano.

Na sua alocução, saudou “com alegria” a celebração da oração mariana e enalteceu o vigor jovem da Igreja Católica angolana, considerando que a comunidade religiosa “vive o frescor da fé e a força do espírito santo”.

“Encontrámo-nos no Santuário, onde durante séculos tantos homens e mulheres aqui cruzaram, quer em momentos de alegria, quer em circunstâncias tristes e muito dolorosas da história deste país (…). Mama Muxima acolhe todos, escuta todos e reza por todos”, disse.

Perante uma praça preenchida por mais de 50 mil peregrinos, o Líder da Igreja Católica recordou que o santuário mariano é dedicado à Imaculada Conceição, “mas foi espontaneamente rebatizado pelos fiéis como o Santuário da Mão do Coração”.

“Um título belíssimo que nos faz pensar no coração de Maria, um coração digno e sábio, capaz de amar e meditar sobre as coisas extraordinárias da vida do filho de Deus, ao rezarmos juntos também revivemos o mesmo, deixando-nos acompanhar por Maria na recordação de Jesus”, disse.

Nesta oração, também dedicada às crianças, doentes, idosos e jovens, Leão XIV considerou que rezar o terço “compromete-nos a amar cada pessoa com coração na ternura, de forma completa e generosa é dedicar-nos aos outros especialmente dos mais pobres”.

Argumentou que ao exemplo de Maria, uma mãe ama os seus filhos por mais diferentes que sejam, defendendo, no entanto, empenho de todos para que os doentes possam receber cuidados necessários, para que às crianças seja garantida instrução e para que os idosos vivam serenamente.

Dirigindo-se aos jovens, aos membros da Legião de Maria e aos presentes, o Papa disse que “Mama Muxima” ("Mãe do coração") pede aos fiéis para serem “agentes de justiça e portadores de paz”.

Enalteceu as obras em curso na Vila da Muxima, que inscrevem uma basílica, a praça de peregrinos, heliporto, parques de estacionamento e infraestruturas complementares, referindo tratar-se de “um grande projeto” capaz de acolher todos os fiéis em peregrinação.

Aos jovens, o Papa disse que a “mãe do céu” confia um grande projeto o de construírem “um mundo melhor, acolhedor, onde não haja mais guerra, nem injustiças, nem miséria, nem desonestidade e onde os princípios do evangelho inspira cada vez mais os corações”.

No final da cerimónia, Leão XIV falou em “kimbundu” excertos de música em homenagem à “Muxima”: “Mama Muxima Tueza Kukue, Mama muxima tutambulule”,("Mãe do coração, viemos até Vós para oferecer-Vos tudo") e foi bastante aplaudido.

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