Oceano deve integrar domínios estratégicos da Agência para a Investigação e Inovação

Os cinco maiores centros de investigação marinha em Portugal, que representam mais de 900 investigadores, pedem à Agência para a Investigação e Inovação que o Oceano seja reconhecido como Domínio Estratégico nacional



Os cinco maiores centros de investigação na área do mar em Portugal - MARE, CESAM, CIIMAR, CCMAR e Okeanos -  assinaram, em conjunto, um manifesto a pedir à Agência para a Investigação e Inovação (AI2) que reconheça o Oceano como um dos Domínios Estratégicos nacionais.

Os centros defendem que o mar deve beneficiar de um investimento sustentado, para além do financiamento atribuído projeto a projeto. Entre as prioridades identificadas estão o acesso a navios de investigação e a veículos submarinos operados remotamente ou de forma autónoma, a estabilização das carreiras científicas e a criação de um programa nacional de monitorização do oceano.

O manifesto propõe ainda um ecossistema nacional de dados marinhos interoperável, articulado com o gémeo digital europeu do oceano, bem como mecanismos de ligação entre a investigação científica, as políticas públicas e o setor empresarial.

Em declarações ao Açoriano Oriental, Gui Menezes, diretor do Okeanos - Instituto de Investigação em Ciências do Mar, da Universidade dos Açores, destacou que a importância desta área é evidente num país cuja Zona Económica Exclusiva abrange cerca de 1,7 milhões de quilómetros quadrados.

“Portugal não é apenas um país com mar. É um país definido pelo mar”, lê-se no manifesto, que refere que os cinco centros subscritores do documento representam mais de 900 investigadores doutorados, mais de 10 500 publicações científicas e mais de 700 projetos financiados nos últimos cinco anos.

Segundo Gui Menezes esta preocupação é uma consequência da fusão entre a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e a Agência Nacional de Inovação (ANI), processo que na sua opinião pode conduzir a uma maior concentração do financiamento público na investigação aplicada e desenvolvida em contexto empresarial.

E neste contexto, o investigador defende que a ciência fundamental deve continuar a dispor de financiamento adequado, por constituir a base do conhecimento que permite, posteriormente, desenvolver aplicações, produtos e inovação.

“Sem investigação fundamental, não há investigação aplicada”, afirmou Gui Menezes, sublinhando que “a ciência não é feita para a economia”. Na sua perspetiva, a ciência deve ser entendida, antes de mais, como uma atividade de produção de conhecimento, não podendo ficar subordinada exclusivamente a resultados económicos imediatos.

Gui Menezes recorda ainda que a decisão de extinguir a FCT foi anunciada sem uma discussão prévia com as universidades, os reitores e a comunidade científica.

“Nós soubemos da notícia da extinção da FCT pelas notícias, pela rádio”, afirmou, defendendo que alterações desta dimensão devem ser preparadas e discutidas com as instituições envolvidas.

O diretor do Okeanos considera ainda que as decisões relativas ao financiamento da ciência poderão ter consequências particularmente relevantes nos Açores, uma região com uma longa tradição de investigação marinha e que atravessa uma fase de transformação das suas infraestruturas científicas e tecnológicas.  

PUB