Novos polícias colocados em aeroportos estão preocupados com futuro

A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) adiantou que muitos polícias recém-formados, que vão ser colocados nos aeroportos, manifestaram preocupação com o seu futuro, por verem goradas as expectativas de trabalhar no imediato numa esquadra



O presidente da ASPP/PSP, Paulo Santos, indicou à Lusa que cerca de uma centena de novos polícias participaram na sessão de esclarecimentos promovida pela associação sindical, que decorreu na Escola Prática de Polícia, em Torres Novas, no distrito de Santarém.

Paulo Santos referiu que muitos dos novos polícias têm "muitas dúvidas relativamente ao seu futuro nos aeroportos e se vão poder ser Polícias de Segurança Pública numa esquadra ou se vão ficar agarrados aos aeroportos".

Entre as dúvidas apontadas estão qual será a política de transferências ou quantos anos terão que ficar a trabalhar nos aeroportos, vincou.

A PSP adiantou em maio que os aeroportos portugueses vão ser reforçados em julho com 360 novos polícias (dos 560 novos agentes que acabavam a formação em 28 de maio), medida que visa diminuir os tempos de espera dos passageiros de fora do espaço Schengen.

O presidente da associação sindical referiu que vai colocar estas questões que recolheu na sessão de esclarecimentos à Direção Nacional da PSP, sublinhando que os novos polícias colocaram as dúvidas "aos representantes da polícia e não tiveram uma resposta plausível".

"Vamos tentar obter essas respostas, porque a pior coisa que se pode fazer a um jovem de 20 anos é ter a formação de polícia, querer ir para a polícia para desempenhar as funções de polícia, e agora estarem, obrigatoriamente, a ser reféns de uma unidade criada pela polícia, mas que nada tem a ver com a polícia, porque é guarda de fronteiras", destacou.

"Há muita gente que não sabe isto. Uma coisa é ser guarda de fronteira, outra coisa é ser polícia. São dimensões diferentes", insistiu.

Paulo Santos lembrou ainda que a ASPP/PSP tem alertado desde há cinco anos para a situação na PSP ao absorver as missões do SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras), por "desconfigurar aquilo que é a PSP" e pela "perda de capacidade operacional".

Para o presidente da ASPP/PSP, existem igualmente necessidades de efetivos nas esquadras, alertando que a realidade nos aeroportos "vai, paulatinamente, descapitalizando a PSP e também os seus recursos".

Paulo Santos destacou que existe uma "incongruência muito grande" por estes jovens terem "acabado há cerca de 10 dias um curso de formação de polícias e neste momento serem polícias, mas estarem a fazer uma formação de fronteiras para ir trabalhar para as fronteiras".

"Ou seja, está-se aqui a descapitalizar todo o conhecimento que eles tiveram durante 6 ou 7 meses na Escola Prática de Polícia para serem polícias e que agora se vão ver agarrados ao aeroporto", acrescentou.


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