Médicos experientes obrigados a emigrar para sobreviver

Médicos experientes obrigados a emigrar para sobreviver

 

Lusa/AO Online   Nacional   15 de Nov de 2012, 06:03

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM) revelou que há "médicos experientes", alguns com 50 anos, com vencimentos muito baixos e que são obrigados a emigrar para sobreviver.

“São médicos que custaram muito dinheiro a formar, que são necessários ao país e aos doentes, mas que estão neste momento com vencimentos base baixíssimos e sem a possibilidade de equilibrar o seu orçamento com as horas extraordinárias”, disse José Manuel Silva, que falava à Lusa a propósito da vinda a Portugal de uma empresa francesa para recrutar clínicos.

Para o bastonário, este é “o sinal objetivo” de que a esmagadora maioria dos médicos portugueses “não tem vencimentos milionários, ao contrário do que se pensa”.

“Quando se encontra um exemplo parece que se transforma na regra, quando é exceção, e os médicos estão a ser obrigados a emigrar para sobreviver”, lamentou.

O bastonário adiantou que muitos profissionais conseguiam equilibrar o seu vencimento com as horas extraordinárias, mas estas estão a diminuir em quantidade e no valor remuneratório.

“Neste momento há médicos que quando chegam ao fim do mês têm dificuldades de gestão do seu orçamento e é natural que procurem alternativas profissionais”, sublinhou.

Por outro lado, há cada vez maior restrição na utilização de recursos nas instituições de saúde, devido à redução do orçamento, e mais dificuldades em “tratar os doentes de acordo com o estado da arte”.

“Os médicos colocam agora em cima da mesa de uma forma real e objetiva a possibilidade de emigração por três razões: melhoria das condições remuneratórias, perspetiva de uma carreira profissional e procura de melhores condições do exercício profissional e do tratamento dos doentes”, sublinhou.

Sem ter dados precisos sobre quantos profissionais já emigraram, o bastonário adiantou apenas que tem aumentado o número de pedidos de certidão de médicos que querem apostar numa carreira noutro país.

Mas esta situação não afeta só os médicos mais experientes: “A maioria dos jovens portugueses que foram tirar Medicina para o estrangeiro encara, neste momento, quase a impossibilidade de voltar por falta de perspetivas de carreira, de remuneração e de realização profissional em Portugal”, sublinhou.

Contactado pela Lusa, o coordenador do Conselho Nacional do Médico Interno acrescentou que há cada vez mais jovens médicos que optam por tirar a especialidade no estrangeiro, tendo em conta “as perspetivas futuras ao nível da empregabilidade”.

“Sempre houve jovens médicos a emigrar, mas antes a perspetiva era de ir para o estrangeiro aprender uma técnica em centros de referência e depois regressar a Portugal. Hoje, a perspetiva é ter melhores condições de vida, melhores oportunidades, estabilidade e diferenciação”, disse Roberto Pinto.

Sobre as especialidades mais procuradas, disse que “não há uma tendência”, mas sim “pessoas disponíveis para emigrar”, sendo o Reino Unido o país eleito devido à facilidade da língua.

Roberto Pinto aconselhou os jovens médicos a ponderarem “muito bem” a decisão de emigrar.

”Não podemos falar de emigrar por emigrar, mas se forem para um local onde tenham oportunidades de diferenciação, de formação, condições para trabalhar, fazer investigação e continuar a progredir, acho que é uma oportunidade”.


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