Mandato de líder do PSD/Açores marcado por divergência com Rio e constituição de arguido

Mandato de líder do PSD/Açores marcado por divergência com Rio e constituição de arguido

 

AO Online/ Lusa   Regional   28 de Set de 2019, 19:51

O primeiro ano de mandato de Alexandre Gaudêncio como líder do PSD/Açores fica marcado pela divergência com o presidente Rui Rio e por ter sido constituído arguido por suspeita de corrupção no exercício de funções de autarca.

Alexandre Gaudêncio, de 36 anos, natural da Ribeira Grande, casado e pai de dois filhos, profissional de seguros, foi eleito presidente do PSD/Açores em 29 de setembro de 2018, substituindo no cargo Duarte Freitas, de quem era vice-presidente.

Começou por ganhar dimensão política quando ganhou a Câmara Municipal da Ribeira Grande ao socialista Ricardo Silva, naquela que constituiu nos Açores uma surpresa eleitoral nas autárquicas de 2013.

Na sua corrida à liderança do partido nos Açores, apoiado pela estrutura do partido, angariou em eleições diretas 60,9% dos votos expressos pelos militantes, contra 37,5% do advogado Pedro Nascimento Cabral, o outro candidato.

Já este ano, o líder do PSD/Açores indicou João Mota Amaral, ex-presidente do Governo Regional e apoiante de Rui Rio, para as listas de candidatos nas europeias de maio, mas o presidente do partido não lhe deu um lugar elegível.

Alexandre Gaudêncio acusou a direção nacional do PSD de dar "um papel de segunda" à estrutura regional (o oitavo lugar na lista) e declarou que "a primeira consequência" daquela decisão era a não indicação de qualquer nome pelos açorianos.

Segundo o líder do PSD/Açores, existia a "legítima expectativa" de a região ter um lugar elegível, mas "infelizmente, esta tradição foi quebrada", tendo dito “olhos nos olhos, em frente ao líder do partido e em frente de toda a direção nacional,” que haveria consequências políticas, ente elas, não haver campanha eleitoral do PSD nos Açores.

O PSD/Açores acabou por ficar sem um eurodeputado em Estrasburgo pela primeira vez.

Os dois líderes voltaram a relacionar-se em termos institucionais já na pré-campanha para as legislativas nacionais de 6 de outubro.

Em 07 de setembro, no início de uma visita à ilha de São Miguel, Rui Rio, acompanhado por Alexandre Gaudêncio, desvalorizou as críticas do PSD/Açores, preferindo atacar a governação "sem qualidade" do PS na região.

"Só se não fosse minimamente inteligente é que numa pré-campanha em que o adversário é o PS me virava para dentro", abordando questões do PSD, disse o social-democrata, depois de repetidamente questionado sobre as relações entre o PSD nacional e a estrutura açoriana.

Na sua qualidade de presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Alexandre Gaudêncio foi constituído arguido na "Operação Nortada", suspeito dos crimes de peculato, prevaricação, abuso de poder e falsificação de documentos, o que provocou uma baixa na sua direção.

O líder dos sociais-democratas açorianos foi alvo de uma investigação da Polícia Judiciária por suspeita de violação de regras de contratação pública, de urbanismo e ordenamento do território.

Um dos motivos da investigação prende-se com um contrato com o artista brasileiro MC Kevinho para um concerto em abril no município açoriano.

O concerto provocou polémica na Ribeira Grande devido aos valores envolvidos: segundo o jornal Açoriano Oriental, em causa estariam 123 mil euros entre remuneração e organização, a que se juntou a receita de bilheteira a favor do artista.

O vice-presidente da Comissão Política Regional do PSD/Açores, Cláudio Almeida, demitiu-se das funções, por considerar que a liderança de Gaudêncio "não reúne condições políticas" para se apresentar nas regionais de 2020.

Já os membros da Comissão Política Regional manifestaram solidariedade ao presidente do PSD/Açores, considerando que Gaudêncio “é um homem sério e humilde em todos os aspetos da sua vida política, profissional e pessoal, tal como é reconhecido pela generalidade da população”.

Quanto ao próprio Alexandre Gaudêncio, manifestou-se de “consciência tranquila” e disse estar "convicto de que todas as opções" que tomou enquanto autarca "estão dentro da legalidade".


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