Açoriano Oriental
Maioria de 83% votos favoráveis retira confiança política a Joacine Katar Moreira

A retirada de confiança política à deputada única do Livre, Joacine Katar Moreira, foi aprovada com 83% de votos favoráveis, numa reunião da Assembleia do partido que terminou de madrugada, anunciou o porta-voz.

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Foto: ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
Autor: Lusa/AO Online

"Hoje não é um dia feliz para o partido Livre", disse Pedro Mendonça, em conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa, acrescentando que "não foi uma decisão fácil ou pouco discutida".

A 44.ª Assembleia do Livre ratificou assim, com a totalidade dos 41 membros presentes - 34 votos favoráveis e sete contra - a deliberação da reunião realizada antes do IX Congresso, que já tinha proposto a retirada de confiança política à deputada. Contudo, o congresso decidiu remeter para os novos órgãos uma decisão final.

Segundo Pedro Mendonça, "as divergências que levaram ao divórcio e rutura não são de todo pessoais, são políticas", afirmando que Joacine Katar Moreira "não aceitou" que as decisões fossem tomadas coletivamente ou "o mínimo conselho dos seus camaradas".

O porta-voz esclareceu que o Livre não irá pedir a Joacine Katar Moreira que renuncie ao mandato e que se a deputada o fizer será por sua vontade.

Fonte do partido disse que o Livre comunicou a Joacine Katar Moreira, ainda durante a madrugada, a decisão da Assembleia, por email. Até ao final da manhã, disse, não havia resposta da deputada mas havia "recibos de leitura" dos e-mails a confirmar que tomou conhecimento.

Em nome da direção do Livre, Pedro Mendonça acusou a deputada Joacine Katar Moreira de ter confundido autonomia com desresponsabilização e com "independência de ação".

"Autonomia implica autonomia própria mas também articulação com todos os órgãos do partido, implica respeito pelos órgãos e pelos camaradas, tudo isso tem sido quebrado desde há uns meses a esta parte. Joacine Katar Moreita não articulou, não discutiu não aceitou o mínimo conselho dos camaradas", acusou.

Como exemplo, e sublinhando que foi um "cumulativo" de situações a espoletar a falta de confiança política, Pedro Mendonça considerou que a deputada não traduziu na sua ação no parlamento a prioridade que o Livre dá à ecologia ou à defesa da convergência de esquerda.

No debate do Orçamento do Estado para 2020, disse, Joacine "não aceitou reunir-se com o PCP e com o BE", tendo as reuniões decorrido com as direções.

A gota de água, acrescentou, foi "tudo o que se passou no último congresso" em que Joacine Katar Moreira "chamou mentirosos aos seus camaradas" e manteve, após a reunião magna, a mesma postura de "impossibilidade de diálogo, de trabalho em conjunto, de trabalho colaborativo, impossibilidade da aceitação mínima de uma pequena crítica, da impossibilidade de escrutínio".

Admitindo "danos para o partido" na sequência da retirada de confiança à deputada única, o dirigente disse saber que o Livre pode "pagar por isso" mas considerou que é um risco assumido, afirmando que o Livre "optou pelos valores" pelos quais se rege.

Questionado sobre se o partido ponderou a expulsão de Joacine Katar Moreira do Livre, o dirigente não se quis pronunciar, justificando que o pelouro disciplinar não compete à direção política mas sim ao Conselho de Jurisdição, presidido por Ricardo Sá Fernandes.

Pedro Mendonça disse ainda que o Livre irá "defender sempre" Joacine Katar Moreira, deputada negra, de ataques "fascistas, sexistas e racistas".

O dirigente disse que o Livre não quer que os portugueses fiquem "reféns da agenda mediática" do deputado do partido de extrema-direita, André Ventura, que sugeriu, numa publicação no Facebook, devolver Joacine ao seu país de origem depois de a deputada ter proposto no parlamento a devolução das obras de arte dos países das ex-colónias.



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