Luso-venezuelanos pedem presença mais forte e ativa de Portugal no apoio a carenciados

A comunidade luso-venezuelana pediu ao secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, que Portugal tenha uma presença mais forte e mais ativa no apoio aos compatriotas carenciados radicados na Venezuela



O pedido foi feito por Alvarinho Moreira, organizador de um jantar de acolhimento a Emídio Sousa, que reuniu mais de 250 portugueses em Caracas, entre eles vários conhecidos empresários.

“Nem todos fomos bafejados pela sorte. Temos portugueses e portuguesas em situação crítica, sem pensão digna, sem recursos humanos, económicos, abatidos e derrotados pela doença, pelo abandono e pela solidão. O Estado português tem que ter uma presença mais forte e mais ativa nas nossas vidas”, disse.

Alvarinho Moreira explicou que a comunidade lusa local, “apesar de envelhecida porque a juventude partiu para outras paragens buscando melhor vida e oportunidades”, “continua de pé, de cabeça erguida, lutando com o suor do seu rosto cada ano das suas vidas para dignificar, honrar e engrandecer o nome de Portugal”.

“É importante reativar o Convénio Bilateral de Reformas e Pensões do Estado Português no Estado venezuelano, que nos permita voltar a ter aqui e também lá em Portugal uma reforma em euros que nos ajuda a terminar os dias com um teto, bem agasalhados, com medicamentos e, muito importante, pãozinho e vinho nas nossas mesas”, disse.

Alvarinho Moreira pediu ainda ao Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas coisas “que podem parecer simples, banais e sem importância, mas que para quem vive a 6.500 quilómetros de casa, são sumamente importantes”.

Entre essas coisas apontou os jogos de futebol português, que desapareceram da RTP Internacional, cerejas em maio, sardinhas em junho, castanhas em novembro, e bacalhau e azeite português em dezembro.

“São coisas que parecem insignificantes, mas para nós tem uma imensa importância. Necessitamos que de alguma maneira o Estado Português possa fazer com que esses produtos, nessas datas, nesses dias, por essas alturas, tenham transporte gratuito, estejam isentos de impostos e até possam ser subsidiados. Principalmente para que cheguem aos portugueses mais necessitados e para que não se percam tradições, usos e costumes”, disse.

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas iniciou terça-feira uma visita de quatro dias à Venezuela, onde expressou ao ministro venezuelano de Relações Exteriores, Yván Gil, “uma grande preocupação” pela “existência de seis presos políticos” luso-venezuelanos, sublinhando que Portugal “veria com muito bons olhos” que fossem libertados.

Durante a visita, Emídio Sousa encontrou-se com familiares dos seis luso-venezuelanos detidos, com a comunidade portuguesa e com a representação diplomática portuguesa no país.

A agenda da visita incluiu ainda encontros com professores de língua portuguesa, com funcionários da embaixada em Caracas, e com os conselheiros das comunidades portuguesas, assim como uma visita ao Lar da Terceira Idade Padre Joaquim Ferreira.

Para hoje está prevista uma visita ao lar de idosos Geriátrico Luso-venezuelano de Maracay, à Casa Portuguesa do Estado Arágua e ao consulado honorário em Maracay.

Em Valência, Emídio Sousa é esperado na Casa Portuguesa Venezuelana de San Diego, seguindo-se uma visita ao consulado-geral.

A visita culmina na sexta-feira com uma deslocação à Sociedade de Beneficência das Damas Portuguesas, que precede a ida ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima de Los Teques e ao consulado honorário de Los Teques.

Um almoço com a comunidade portuguesa em Los Teques e um encontro com representantes da oposição política venezuelana completam o programa da visita.


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