Liga Nações

Jorge Jesus volta a desdramatizar saída de Ronaldo do estágio

O selecionador português Jorge Jesus voltou a desdramatizar a saída de Cristiano Ronaldo do estágio e colocou no capitão a decisão de continuar a representar os lusos, apurados para os quartos de final da Liga das Nações



“Para mim, nunca foi um caso, mas uma coisa que achava normal como treinador. Há princípios inegociáveis para mim, mas, como não houve nada de especial em relação à minha autoridade, ele será convocável na próxima vez, caso esteja a jogar no Al Nassr e queira regressar à seleção”, sublinhou o técnico, em conferência de imprensa no Estádio do Dragão, no Porto.

Na quarta-feira passada, Cristiano Ronaldo abandonou, por decisão própria, o estágio da seleção, na véspera da vitória nacional na Dinamarca (4-2), para a terceira ronda da mais recente competição europeia de seleções.

“Ele não pode cobrar uma amizade de um ano numa situação que não dá para entender. Quantos é que aqueceram e não entraram hoje? Vai haver algum problema? Não. Com o Cristiano é diferente, porque é um símbolo da seleção, mas não houve problema para mim. Falámos antes desta convocatória e podemos falar antes da próxima, mas ele é que vai decidir”, acrescentou o técnico, que se sagrou campeão saudita com o Al Nassr em 2025/26, na companhia dos internacionais Cristiano Ronaldo e João Félix.

Reiterando a mensagem transmitida minutos antes na zona de entrevistas rápidas, Jorge Jesus rejeitou que tenha de pedir desculpas ao capitão, utilizado pela última vez na vitória sobre o País de Gales (1-0), a 24 de setembro, em Lisboa, na estreia na Liga das Nações e sob orientação do sucessor do espanhol Roberto Martínez.

“Houve muitas pessoas que se meteram no caso e que fizeram com que isto parecesse um problema. Acham que isto é motivo para o Ronaldo acabar de uma maneira para a outra? Ele sabe que isto não dura para sempre, mas eu gostava que se despedisse como quer da seleção”, notou.

Os lusos jogaram pela primeira vez em território nacional desde a saída de Ronaldo, que, nas redes sociais, garantiu que “a seu tempo” dirá “a verdade a todos os portugueses sobre as razões” que o levaram a abandonar a comitiva, após ter conversado com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Pedro Proença, já depois do anúncio de Jorge Jesus de que o dianteiro, de 41 anos, não seria titular na Dinamarca.

“Uma das coisas que disse ao Cristiano era que ele não podia acabar de jogar pela seleção num Campeonato do Mundo a perder e a chorar. Tinha de acabar a jogar e por isso é que esteve no primeiro jogo. Era para jogar aqui, mas, face ao que aconteceu, tudo foi diferente. Eu sou selecionador e convoco quem quero”, terminou Jorge Jesus, cujo nome foi alvo de um misto de assobios e aplausos do público antes da partida, ao ser anunciado na instalação sonora do recinto durante a apresentação das equipas.

Em declarações à RTP Notícias, Pedro Proença afirmou que o caso não passou de um “mal-entendido” e será resolvido com “tranquilidade nos próximos dias”, esperando o regresso do capitão à seleção em novembro.

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