Horários dos transportes escolares em São Miguel ainda estão a ser afinados

Três situações chegaram à Direção Regional da Educação e Administração Educativa nos primeiros dias de aulas. Problemas com horários e paragens nas EBI de Água de Pau e Ribeira Grande já estão resolvidos, mas a EBI da Maia ainda aguarda por uma solução definitiva.




O novo ano letivo começou esta quarta-feira e, em algumas escolas de São Miguel, os transportes escolares deram que falar. Houve desfasamentos entre a horário das escolas e a passagem dos autocarros, dúvidas sobre as paragens e, em alguns casos, alunos que ficaram à espera da camioneta que não chegou a passar.

As reclamações foram sendo partilhadas nas redes sociais e nas páginas de algumas escolas, o que levou a que alguns  conselhos executivos publicassem informações para tranquilizar os encarregados de educação, como por exemplo a Escola Básica Integrada da Maia (EBI da Maia).

Segundo a Direção Regional da Educação e Administração Educativa (DREAE), a tutela está a acompanhar de perto os constrangimentos e está também em articulação com os conselhos executivos das escolas: “Temos feito um acompanhamento diário”, afirma Rui Espínola, diretor regional da DREAE, que adianta que, na quinta-feira, chegaram à tutela situações em três escolas: EBI de Água de Pau, EBI da Maia e EBI da Ribeira Grande.

Na EBI de Água de Pau, o problema teve a ver com o autocarro não ter passado na Ribeira Chã; na EBI da Ribeira Grande, o constrangimento teve a ver os horários da escola não coincidirem com os horários dos autocarros e, além disso, a paragem deu confusão, uma vez que o terminal da camioneta não é à frente do portão da escola. O que levou o motorista a não parar à frente do estabelecimento de ensino.

No que diz respeito à EBI da Maia, o problema foi também com o desfasamento entre os horários das crianças e os horários dos transportes.

Rui Espínola garante que os constrangimentos registados na EBI de Água de Pau e na EBI da Ribeira Grande já estão resolvidos: “Já recebemos hoje o feedback do conselho executivo da escola”, explica.

E a EBI da Maia?
Já a EBI da Maia, a situação está ainda por resolver. O diretor regional diz que a empresa Vale do Ave Açores já sabe do problema e que os ajustes nos horários estão a ser estudados. Diz ainda que, caso não seja possível a empresa assegurar mais um horário, está em cima da mesa requisitar um circuito de aluguer para que o transporte destes alunos não fique descoberto.

“Nos outros anos também foi sempre preciso ir afinando os horários. Este ano, sendo uma empresa nova, será preciso ir afinando mais vezes”, explica Rui Espínola.

A Federação das Associações de Pais e Encarregados de Educação dos Açores (FAPA) têm conhecimento das mesma queixas. Virgílio Santos, vice-presidente da FAPA, confirma que, à exceção da EBI da Maia, as situações que foram reportadas já estão todas resolvidas.

“O que se está a tentar agora é conjugar os horários de saída com os horários dos transportes escolares, havia esse desfasamento”, diz.

O vice-presidente acrescenta ainda que a empresa Vale do Ave Açores está com falta de motoristas, uma vez que alguns estão de baixa. Por isso, não havendo pessoas para conduzir os autocarros, não há também as camionetas previstas a circular.

Rui Espínola diz que a empresa está a tratar destes constrangimentos: “A falta de recursos humanos é um problema da empresa, e é a própria empresa que está a resolver isso”, afirma.

Tanto a DREAE como a FAPA acreditam que na próxima semana os transportes escolares já devem estar a funcionar como regularmente. Ainda assim, Rui Espínola reconhece que é uma nova empresa a prestar este serviço e que, por isso, pode ser preciso ajustar horários à medida que o ano letivo vai arrancando. Tendo em conta que as aulas para o 3.º ciclo e o secundário só começam segunda-feira.

O diretor regional lembra que o transporte escolar é contratualizado entre a empresa e os próprios conselhos executivos das escolas.

Já a FAPA alerta para que os encarregados de educação contactem sempre as associações de pais das suas escolas: “Há muitas vezes situações de que as associações de pais não têm conhecimento ou que, tendo conhecimento, já estão a a trabalhar em estratégias para dar resposta”, acrescenta.

Serviço planeado “está todo no terreno”
Sérgio Ferreira, diretor geral da empresa Vale do Ave Açores, garante que o serviço público previsto no contrato de concessão “está todo no terreno”. Mas admite que alguns constrangimentos desta primeira semana tenham resultado da adaptação dos motoristas ao novo serviço e à falta de recursos humanos.

No caso da EBI da Maia, reconhece que os horários não estão ainda totalmente ajustados, mas diz que já foram feitos ajustes. E espera que para a próxima semana a operação corra melhor: por um lado os encarregados de educação estarão melhores informados e por outro lado, o serviço esteja mais reforçado com a contratação de motoristas do continente.

A Vale do Ave Açores diz que reuniu com quase todas as escolas da ilha antes do início do ano letivo e que recebeu, nessas reuniões, a informação sobre os horários de entrada e saída dos alunos. Contudo, segundo Sérgio Ferreira, um dos problemas tem a ver com o facto da informação inicial não ter correspondido sempre à realidade.

“Por exemplo, há casos em que nos foi dito que os alunos saíam às 17h30 e afinal terminavam as aulas às 16h45”. Por isso, apela às escolas que comuniquem com a empresa.
Nesse sentido, o responsável reconhece que será necessário ir afinando horários, sobretudo a partir de 17 de setembro, com o início das aulas no secundário: “Os transportes são organismos vivos”, sublinha.

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