O presidente da direção do Grupo Folclórico de Nossa Senhora da Graça do Porto Formoso lamenta a falta de apoio do Governo Regional ao folclore e particularmente aos festivais.
Em declarações ao Açoriano Oriental, o presidente da direção do Grupo Folclórico de Nossa Senhora da Graça do Porto Formoso, José Maria Cabral, lamenta só ter encontrado este ano apoios do governo para o folclore destinados à aquisição de instrumentos, tendo ainda no passado fim de semana decorrido o 19.º Festival Internacional de Folclore do Porto Formoso sem contar com qualquer apoio do governo, a primeira vez na última década em que esta situação aconteceu.
José Maria Cabral lembra que ainda no ano passado o festival reuniu cerca de 1200 pessoas, num esforço logístico considerável, sendo por isso “já é uma marca cultural ao nível do Concelho da Ribeira Grande e mesmo da ilha de São Miguel”.
Uma situação que leva José Maria Cabral a lamentar que o folclore seja sempre “o parente pobre da cultura” nos Açores. “Como é que se pode incentivar os jovens a pertencerem a associações ou a grupos folclóricos se o próprio governo não olha com olhos de ver o folclore açoriano? Realmente isso desanima”, lamenta o presidente da direção do Grupo Folclórico de Nossa Senhora da Graça do Porto Formoso.
Mas para que o
folclore não morra, é preciso levá-lo aos mais jovens, tendo o grupo do
Porto Formoso realizado o trabalho de levar o folclore às escolas.
“Estivemos na escola da Maia no ano passado, este ano já fomos à Escola
Gaspar Frutuoso, na Ribeira Grande e celebrámos o Dia da Autonomia a
dançar folclore, com imensos jovens a quererem dançar”, revela José
Maria Cabral. Que lança mesmo um desafio: “já temos há muito a flauta
nas escolas, mas porque não pensar na viola da terra”?
Festival sem apoio
Conforme já tinha referido, José Maria Cabral lamenta “não termos qualquer apoio para o Festival Internacional de Folclore a nível do governo”. As candidaturas são feitas com muita antecedência. “Acaba um festival e já a partir de segunda-feira, começa a preparação do próximo festival”, explica o presidente da direção do Grupo Folclórico de Nossa Senhora da Graça do Porto Formoso. Contudo, “quando quatro semanas antes do festival vem um e-mail a dizer que não temos qualquer tipo de apoio, obviamente que é difícil organizar a logística toda para termos grupos internacionais”, lamenta.
José Maria Cabral diz mesmo que “se não tivéssemos um protocolo com a Câmara Municipal da Ribeira Grande para a realização do 19.º Festival, não teria sido possível realizá-lo”. E a esse apoio, juntou-se também o apoio da Junta de Freguesia do Porto Formoso.
O festival deste ano contou com o grupo da casa e com dois grupos estrangeiros, um vindo da Polónia e o outro de França. Isto para garantir algum tempo de atuação para cada grupo. Por isso, o Grupo Folclórico de Nossa Senhora da Graça do Porto Formoso tem a intenção de, conforme explica José Maria Cabral, “fazer um fim de semana de festival de folclore, com um festival regional na sexta-feira e o festival internacional no sábado”.
Desta forma, mais grupos poderiam participar, tendo na mesma um bom tempo de atuação. Contudo e para que este projeto se concretize, serão necessários apoios que o festival não tem neste momento.
Refira-se que o grupo de França que esteve este ano no festival tem a particularidade de ser um grupo de emigrantes portugueses com mais de cinquenta anos de existência e que atua com modas ribatejanas.
Conforme recorda José Maria Cabral, “estivemos em França em 2023, num intercâmbio com este grupo, do qual saímos muito privilegiados por conhecermos este grupo, porque sabemos que já é difícil termos folclore no nosso país, pelo que fora do país, criar essas condições e manter as tradições é ainda mais difícil”.
José
Maria Cabral lembra ainda que este é um grupo “muito jovem, com 48
pessoas e muita qualidade artística, com bons tocadores e bons
cantadores”, conclui.
