“Se nós estamos a melhorar a acessibilidade ao Serviço Regional de Saúde, com mais diagnósticos, com mais realização de exames e de consultas, o doente acaba por ter mais indicações cirúrgicas que entram na lista de espera”, afirmou a titular da pasta da Saúde, Mónica Seidi, aos jornalistas, à margem de uma reunião com o conselho de administração do Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira (HSEIT).
Segundo os dados mais recentes publicados na página da Direção Regional da Saúde, no final de fevereiro estavam inscritos para cirurgia 13.480 utentes nos Açores, mais 1.172 (9,5%) do que no mesmo mês em 2025.
Desde maio de 2023 que o número de pessoas a aguardar por uma cirurgia nos Açores é superior ao registado no período homólogo.
A 24 de março, numa visita ao Hospital da ilha Terceira, os deputados do PS alertaram que, só nesta unidade – a segunda maior da região –, nos últimos cinco anos, “o número de doentes inscritos para cirurgia aumentou de cerca de 1.900 para 3.100” e que o tempo médio de espera “subiu de cerca de 300 para 430 dias”.
Esta quinta-feira, a titular da pasta da Saúde do Governo dos Açores adiantou que, em março, houve um aumento de utentes operados e uma redução do tempo de espera neste hospital.
“Desde 2022, o mês de março de 2026 foi o melhor mês do ponto de vista da atividade cirúrgica”, frisou, acrescentando que, neste mês, foram operados 344 doentes no HSEIT, mais 19% do que no período homólogo.
Ainda assim, segundo a governante, “houve um aumento considerável do número de inscritos”, justificado, em parte, pela deslocação de médicos especialistas a ilhas sem hospital.
“Isso dá-nos também aqui algum alento no sentido de que as listas estão a aumentar, mas também, por outro lado, estamos a melhorar a acessibilidade ao Serviço Regional de Saúde”, salientou Mónica Seidi.
A governante iniciou uma ronda de reuniões com os conselhos de administração dos hospitais e com os diretores dos blocos operatórios para tentar perceber como podem ser otimizados.
“Até o doente chegar à sala de operações há todo um circuito que é criado e que pode ser otimizado por forma a reduzir tempos de espera até ao início da cirurgia e naturalmente rentabilizar mais os blocos operatórios”, apontou.
A titular da pasta da Saúde defendeu, por outro lado, que é preciso rever as listas de espera para ter “números mais fidedignos”.
“Estamos a pedir que sejam revisitados os processos de alguns doentes pelos clínicos. Infelizmente, temos doentes que já não têm indicação, por uma data de fatores. Temos doentes que até estavam inscritos para a mesma cirurgia com quatro ou cinco propostas diferentes”, explicou, ressalvando que nenhum utente será retirado da lista de espera sem indicação clínica.
Mónica Seidi sublinhou que, em 2025, a execução do programa Cirurge, que permite a realização de cirurgias nos hospitais da região em horário extraordinário, ficou "acima dos 100%”.
“O Governo Regional disponibiliza todos os mecanismos financeiros (…), a par disto, é importante entender a rentabilidade de cada bloco dos três hospitais da região e dos recursos humanos disponíveis, porque também há efetivamente carência de recursos humanos para podermos operar mais”, vincou.
Quanto ao Vale Saúde, que permite que os utentes sejam operados no privado, nem sempre é aceite pelos utentes.
“Posso dar nota de algo que também aconteceu, neste hospital, no mês de março, em que de 17 doentes elegíveis de uma certa especialidade para o Vale Saúde, apenas quatro aceitaram ser operados fora do Serviço Regional de Saúde”, revelou a governante.
Questionada sobre o aumento dos tempos de espera nas urgências do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, Mónica Seidi disse que “houve um pico de afluência” nos primeiros três dias desta semana, por infeções respiratórias, o que “não seria expectável” nesta altura do ano porque a época da gripe terminou no dia 31 de março.
“Vamos continuar a garantir que todos os utentes tenham efetivamente uma resposta, sendo certo que houve [quarta-feira] um pico de afluência e um aumento no tempo de espera para as pulseiras amarelas”, avançou.
Mónica Seidi disse que os utentes com indicação pouco urgente podem recorrer também às unidades básicas de urgência, ao serviço de apoio complementar da Lagoa, que disponibiliza consultas para situações agudas, entre as 08h00 e as 18h00, e ao Centro de Saúde de Ponta Delgada, que tem dois médicos a prestar um serviço de apoio complementar para situações agudas.
