Várias mulheres relatam existir atrasos nos rastreios ao cancro da mama, havendo casos em que a situação se prolonga durante anos. “Problemas de recursos humanos” estão na origem dos constrangimentos.
Quem o diz é João Macedo, presidente do Centro de Oncologia dos Açores (COA), que em declarações ao Açoriano Oriental, indica também que a situação está a afetar principalmente São Miguel, prolongando-se há cerca de dois anos e meio.
“Nós temos três técnicos em permanência em São Miguel, que asseguram o rastreio. No entanto, fruto de diversas questões, relacionadas com ausências, baixas por parentalidade e baixas médicas, destes três, havia quase sempre dois que estavam ausentes durante este período”, explica.
De forma a tentar resolver a situação, foram abertos concursos com o objetivo de recrutar novos técnicos, de forma a colmatar as ausências temporárias. No entanto, as vagas ficaram desertas.
Medidas para inverter a situação
Apesar das dificuldades em recrutar novos técnicos, no último concurso realizado, que terminou recentemente, foi possível contratar uma nova profissional.
“Estamos agora a tentar recuperar. Temos uma nova técnica em permanência e também estamos a realizar regimes de prolongamento de horários. Neste momento, a profissional recém-contratada está a realizar o seu horário normal mais o referido prolongamento”, indica João Macedo.
Para além destas questões, atualmente ainda existe uma técnica que se encontra em licença de parentalidade. Sendo que, quando regressar, “a recuperação será mais efetiva”, uma vez que será possível “realizar mais escalas”.
“Há sempre aspetos que são imponderáveis, mas a nossa expectativa é que agora, durante o próximo ano, se consiga recuperar todo o atraso com estes prolongamentos de horário e com o retomar do número de técnicos que tínhamos no passado”, esclarece.
Situação mais evidente em São Miguel
A ausência de técnicos tem vindo a afetar principalmente São Miguel, uma vez que, no restante arquipélago, a situação encontra-se “normalizada”.
“Nas restantes ilhas, o planeamento está a ser cumprido, mas é claro que existem vários fatores que acabam por condicionar o cronograma. Como há uma unidade móvel que se desloca entre as várias ilhas, questões relacionadas com avarias, atrasos nos transportes devido ao mau tempo e até mesmo ausências pontuais de técnicos poderão causar algumas alterações ao planeamento. Contudo, de forma geral, a situação está normalizada”, afirma o dirigente.
Ações que as mulheres devem tomar
Em casos de espera demasiado prolongada, João Macedo indica que as mulheres podem contactar o COA, de modo a perceber se o atraso é relativo às razões anteriormente referidas.
“O facto de algumas mulheres ainda não terem sido chamadas pode não ser uma questão de atraso”, relembra.
“Muitas vezes, o que acontece é que as pessoas podem não ter recebido a carta, e apesar de nós enviarmos também um SMS a relembrar, podem, por exemplo, não ter os contactos atualizados. Pode igualmente ser o caso de uma utente que está a iniciar agora os rastreios e que não está corretamente identificada na base de dados dos cuidados primários”, complementa.
Deste modo, o presidente do COA aconselha que se contacte os serviços administrativos, de modo a perceber se os dados pessoais, tais como “a morada ou o contacto telefónico”, estão corretamente identificados nas listagens.
Ao terminar as suas declarações, João Macedo faz um apelo: “os rastreios são bastante importantes. Por isso, se tiverem algum tipo de dúvidas, não hesitem em contactar o COA”.
