Economia

Estudo identifica aumento de insolvências e dissoluções de empresas nos Açores

Estudo identifica aumento de insolvências e dissoluções de empresas nos Açores

 

Lusa/AO Online   Regional   10 de Nov de 2012, 17:56

As insolvências e dissoluções naturais têm vindo a aumentar nos Açores, ao contrário da criação de empresas, segundo um estudo sobre a evolução da economia regional, encomendado pela Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo.

“As insolvências aumentaram muito nos Açores e também as dissoluções naturais. Até aumentaram mais em termos relativos do que o tecido empresarial nacional”, frisou Rodrigo Faria, da empresa Informa D&B, que traçou um retrato da economia açoriana, em declarações aos jornalistas, hoje, à margem de um encontro com empresários, promovido pela Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo, no qual foram apresentados os resultados do estudo. De acordo com Rodrigo Faria, em 2011 ocorreram 37 insolvências no arquipélago e 135 dissoluções naturais (empresas que querem cessar atividade de modo próprio). Já entre janeiro e setembro de 2012 registaram-se 29 insolvências, o que em comparação com o período homólogo corresponde a um aumento de 45%, enquanto nas dissoluções naturais ocorreu um crescimento de 41%, verificando-se 103 casos, nos primeiros nove meses deste ano. A atividade imobiliária, com uma quebra de 40%, desde 2006, e a construção civil, com uma diminuição de 30%, foram os setores em que o volume de faturação mais caiu, segundo Rodrigo Faria, que destacou, contudo, que “o volume de faturação tem vindo a aumentar na área dos serviços”. O estudo demonstrou ainda que o setor do retalho (comércio) ocupa nos Açores um peso maior do que a nível nacional (25% na região contra os 17% do país), invertendo-se o cenário, com os mesmos números, no caso da indústria. Nesse sentido, o responsável pela empresa que realizou o estudo, sugere que a região aposte na indústria e que aumente as exportações, apesar de reconhecer algumas limitações, devido aos custos da insularidade. “Só temos 1,4% das empresas açorianas a exportar, que só representam 4% de toda a faturação da Região Autónoma”, frisou Rodrigo Faria, realçando ainda assim que as empresas com risco mínimo nos Açores estão em maior número do que a nível nacional. Por sua vez, Sandro Paim, presidente da Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo, salientou que o encontro empresarial, que decorre hoje nesta cidade da ilha Terceira, pretende ouvir os empresários sobre o futuro e reunir ideias, para apresentar um documento estruturado ao novo presidente do Governo Regional dos Açores, em fevereiro do próximo ano. Sandro Paim defendeu que o recém-eleito Governo Regional, formado novamente pelo Partido Socialista, não pode não pode ter “uma ótica de continuidade”, considerando que o contexto nacional e internacional é “completamente diferente”. “São os empresários que criam emprego e puxam a economia, não podemos ter mais uma vez o crescimento da economia baseado naquilo que é público”, frisou, acrescentando que “o Governo Regional vai ter de ouvir aquilo que os privados têm para dizer”. Na próxima segunda-feira, o presidente do executivo regional, Vasco Cordeiro, reúne-se com os presidentes das três câmaras de comércio dos Açores (Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta).


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