Tabaco

Estado gasta 240 milhões por ano com doenças respiratórias


 

Lusa / AO online   Nacional   22 de Nov de 2007, 16:32

O Estado gasta mais de 240 milhões de euros por ano a tratar doentes com problemas respiratórios atribuíveis ao tabaco, segundo um relatório divulgado, que alerta ainda para a falta de pneumologistas no serviço público em Portugal.
O documento do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias indica que os custos directos atribuíveis ao tabagismo nos doentes respiratórios em ambulatório são de 203 milhões de euros e de 40 milhões nos doentes internados.

Se nunca tivesse havido fumadores, quase 90 por cento dos casos de cancro de pulmão nos homens deixariam de existir, uma percentagem que desce para 58,8 por cento no caso das mulheres.

E se todos os homens portugueses deixassem de fumar, haveria menos 45,4 por cento de casos de cancro do pulmão e menos 9,1 por cento de casos de pneumonia.

O tabaco, a par da poluição atmosférica, continua a ser o grande responsável pelas doenças do aparelho respiratório, que são a terceira causa de morte em Portugal, depois dos tumores e das doenças cardiovasculares.

No total, as mortes por doenças respiratórias correspondem a 12 por cento dos óbitos em Portugal, apesar de a mortalidade ter reduzido 8,4 por cento de 2000 para 2004.

O cancro do pulmão, para o qual o tabaco contribui em 90 por cento, foi responsável no ano passado por 4.764 internamentos, 31 por cento dos quais acabaram com a morte do doente.

As estimativas indicam que todos os anos há 3.200 novos casos deste tipo de cancro, o que equivale ao surgimento de mais de oito casos por dia.

A maior taxa de internamentos por cancro do pulmão verificou-se nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo e no Centro.

O Observatório aproveita o relatório para chamar a atenção para a "gritante falta de especialistas" nesta área no sistema público de saúde, precisando que só há 479 pneumologistas no Serviço Nacional de Saúde, 46 por cento deles em Lisboa e Vale do Tejo e 28 por cento no Norte.

As regiões com maiores carências de pneumologistas são a Madeira, os Açores e a zona da Sul do Tejo.

Uma das conclusões do Observatório pretende mostrar a elevada incidência dos problemas respiratórios no universo de todos os doentes internados nos hospitais portugueses: 15 em cada 100 internamentos nas especialidades médicas devem-se a doenças do foro respiratório.

A mortalidade nos doentes internados com as principais patologias respiratórias - das quais se destacam a doença pulmonar obstrutiva crónica e o cancro do pulmão - é de 15,1 por cento, "significativamente superior à média de todas" as outras patologias.

No ano passado, os hospitais do Serviço Nacional de Saúde deram alta a mais de 86 mil doentes respiratórios, menos 5,4 por cento do que no ano anterior, e estes em média estiveram internados cerca de 10 dias e meio, quando a média geral de internamento é de 7,2 dias.

No total, em 2006 as doenças respiratórias foram responsáveis por 865 mil dias de internamento nos hospitais do SNS.

As doenças respiratórias com maiores taxas de mortalidade em internados são as patologias sujeitas a ventilação (36,4 por cento), tumores malignos (31,4 por cento), fibrose pulmonar (25,7) e pneumonias (18,3 por cento).

A qualidade do ar tem vindo a tornar-se um assunto cada vez mais preocupante, sendo as crianças e os jovens um dos grupos mais afectados pelas doenças respiratórias.

A incidência de asma nas crianças aumentou 23 por cento nos últimos anos, sendo o ozono um dos factores que mais contribui para esta situação.
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