Tem sido uma temporada de furacões no Atlântico Norte sem qualquer ocorrência, até ao momento. Desde o seu início, a 1 de junho, não foi registado nenhum deste tipo de fenómeno climático extremo, mas a “janela” está aberta até 30 de novembro.
Vários sites de notícias assinalaram o feito, tecendo comparações com o ano de 1914, o último em que não foram assinalados furacões em toda a temporada. Outros, apontam que, desde a era dos satélites (década de 60), tecnologia que melhorou substancialmente a sua detenção, é a primeira vez que não se assistiu à formação de um furacão até ao final de setembro.
Apesar de ainda ser cedo para determinar que 2026 será um ano anómalo - visto que ainda estamos longe do dia 30 de novembro - importa saber o que está na origem desta calmia.
Em declarações ao Açoriano Oriental, Carlos Ramalho, meteorologista e presidente da Delegação Regional dos Açores do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), explica que tal se deve às condições atmosféricas pouco favoráveis à formação e intensificação de furacões.
“Em particular, o El Niño que se está a desenvolver no Pacífico tropical, está associado a variações fortes quer da direção quer da intensidade do vento em zonas mais altas da atmosfera na bacia do Atlântico Norte. Estas variações dificultam a organização e o desenvolvimento das tempestades tropicais”.
O El Niño é um complexo fenómeno climático que ocorre de forma cíclica e provoca o aquecimento das águas do Oceano Pacífico.
Atualmente, e segundo informações do Centro de Meteorologia dos Estados Unidos da América (NOAA, na sigla inglesa), a temperatura da água no Pacífico equatorial está 3º acima da média. O que tem produzido uma temporada de furacões no Pacífico acima da média: até ao momento, sete furacões, dos quais três de categoria 5, a máxima.
Carlos Ramalho sublinha que ainda é cedo para decretar uma temporada sem furacões e explica que ainda não é possível prever que impactos o El Nino possa vir a ter no clima dos próximos meses.
“A ausência de furacões é sobretudo um reflexo das condições atmosféricas que atualmente dificultam o desenvolvimento dos sistemas tropicais, nomeadamente as fortes variações do vento em altitude associadas ao El Niño. Esta ausência não é, por si só, um indicador da situação meteorológica nas próximas semanas ou meses. Diria que devemos acompanhar as previsões meteorológicas, como em qualquer outro ano, de forma a podermos antecipar e mitigar os efeitos de situações de tempo mais severo que, por vezes, ocorrem no arquipélago durante os meses de outono e inverno”.
