Açoriano Oriental
Cooperação policial foi a "chave" para apreensão de 500 kgs de cocaína em veleiro

O coordenador da Polícia Judiciária (PJ) nos Açores salientou que a cooperação policial entre vários países foi "fundamental" na apreensão em julho de meia tonelada de cocaína num veleiro na marina da Praia da Vitória, Ilha Terceira.


Foto: ANTÓNIO ARAÚJO / LUSA
Autor: Lusa/AO online

Em conferência de imprensa, em Lisboa, e na presença de responsáveis policiais de Espanha, Holanda, Europol e MAOC-N (Marítime Analisys and Operations Centre - Narcotics), Renato Furtado sublinhou ainda que "as embarcações de recreio têm sido muito utilizadas para o transporte de cocaína desde as Caraíbas e de toda a América do Sul para a Europa".

Segundo aquele coordenador da PJ, "boa parte dessas embarcações param nos Açores por diversas razões, às vezes por avarias, às vezes para se reabastecerem de alimentos e água", sendo também uma forma das organizações criminosas transnacionais "transportarem quantidades bastante significativas, de uma só vez, de cocaína, porque a via aérea não permite essa escala ao nível do transporte".

A investigação, que permitiu a apreensão de cerca de 500 quilogramas de cocaína dissimulados no interior do veleiro ‘Imagine’ e que levou à detenção de dois homens (um holandês e outro estónio), iniciou-se em Espanha, na zona de Valência, mas teve como rastilho uma informação vinda diretamente da polícia holandesa, país onde, mais tarde, foram detidas outras duas pessoas e efetuadas buscas domiciliárias.

Renato Furtado explicou que as polícias e entidades envolvidas na investigação decidiram, por questões estratégicas, realizar a apreensão da cocaína na passagem da embarcação pela ilha Terceira (Açores), tendo a operação sido efetuada no terreno pela PJ local, que encontrou a droga escondida em "dois espaços distintos" da embarcação.

Após a detenção dos dois ocupantes do veleiro, de 53 e 41 anos - prosseguiu o coordenador da PJ - foram imediatamente desenvolvidas diligências na Holanda, com outras duas detenções naquele país e de um outro suspeito num outro país europeu, que não quis precisar.

Renato Furtado e os restantes responsáveis policiais estrangeiros presentes hoje na sede da PJ não quiseram também fornecer dados sobre a envergadura e dimensão da organização criminosa envolvida neste caso, tendo o coordenador da PJ justifcado que isso poderia prejudicar as investigações ainda em curso. Notou, no entanto, que a apreensão da droga e as detenções causaram "danos significativos" naquela organização criminosa transnacional.

Segundo revelou a PJ em meados de julho, o veleiro com a cocaína tinha partido da América do Sul e a droga deveria ser entregue num porto europeu. Além da droga, foi também apreendida uma pistola e outros elementos de prova.

A passagem do veleiro na ilha Terceira, no meio do oceano Atlântico, serviria para descanso da tripulação e reabastecimento.

O espanhol Miguel Rodriguez, em representação da Europol, sublinhou na conferência de imprensa que a "única forma de combater o crime organizado" transnacional é através de cooperação policial entre os diversos países.

"Nenhum país pode combater sozinho este fenómeno", enfatizou o dirigente da Europol.


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