Compra da EDP é a primeira de uma grande empresa chinesa na Europa do Sul

Compra da EDP é a primeira de uma grande empresa chinesa na Europa do Sul

 

Lusa / AO online   Economia   24 de Dez de 2011, 10:28

A compra de 21,35 por cento do capital da EDP por uma grande empresa chinesa é a primeira operação do género feita na Europa do Sul no contexto da crise da dívida soberana, realçou hoje um jornal chinês.

"Mais negócios poderão seguir-se, à medida que as enfraquecidas economias europeias procuram clientes para ajudar a resolver as suas dívidas", disse o China Daily ao anunciar o resultado do concurso internacional para a privatização da EDP, ganho pela China Three Gorges Corporation (CTG).

O acordo com a CTG, anunciado na quinta-feira à tarde em Lisboa (madrugada de sexta-feira em Pequim), "é o primeiro negócio do género celebrado pela maior companhia de energias renováveis da China" e "ajudará a CTG a expandir-se internacionalmente", assinala o mesmo jornal.

Numa noticia publicada na primeira página do seu suplemento económico, o China Daily refere que a operação "insere-se no plano de austeridade do Governo português" e que, para além da CTG, concorreram ainda as empresas E-On, da Alemanha, e as brasileiras Eletrobras e Ceming.

"As receitas anuais da EDP representam 9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal" e ao tornar-se o maior acionista daquela empresa a CTG "entrará nos mercados da Europa, América e Brasil", salienta ainda o jornal

A CTG vai pagar cerca de 2,7 mil milhões de euros pela participação que o Estado português detém na EDP, e para além de ir investir mais 2 mil milhões de euros nos projetos de parques eólicos até 2015, comprometeu-se "a melhorar o perfil de crédito" da empresa através de linhas de crédito de 4 mil milhões de euros junto de bancos chineses.

Entre os países europeus afetados pela crise da dívida, o China Daily menciona também a Grécia.

O programa de privatização da Grécia oferece oportunidades de investimento em vários setores, incluindo turismo, energias renováveis, biotecnologia e minas, diz o jornal, citando o embaixador grego na China, Theodoros Georgakelos.

Fundada pelo governo chinês em 1993, para construir e gerir o maior complexo hidroelétrico do mundo, a barragem das Três Gargantas, no rio Yangtze, a CTGC é considerada uma das mais importantes empresas da China na área das energias renováveis e está envolvida em projetos hidroelétricos em 26 países.

No final de 2009 o património da CTG somava 280,980 mil milhões de yuan (32,7 mil milhões de euros), com um capital próprio de 169,85 mil milhões de yuan (19,7 mil milhões de euros), indica a empresa no seu portal.


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