CDS-PP/Açores propõe alterações no transporte marítimo de cargas e de passageiros

O grupo parlamentar do CDS-PP nos Açores vai apresentar duas propostas no sentido de alterar o transporte marítimo de carga entre o continente e a região e o transporte marítimo de passageiros nas ilhas do grupo Central.


 

No que se refere às mercadorias, o projeto de resolução que os centristas vão apresentar na Assembleia Legislativa dos Açores recomenda ao Governo Regional a realização, num período de seis meses, de um estudo de viabilidade económica que compare diferentes modelos de transporte e que “contemple e articule o transporte de carga do continente para os Açores e a distribuição da carga inter-ilhas".

Segundo a deputada Graça Silveira, que falava hoje numa conferência de imprensa, o modelo atual deveria ter vantagens para as ilhas mais pequenas, uma vez que o preço das ligações do continente é igual, independentemente da ilha de destino, mas na prática os operadores estão a fazer o transbordo da carga em São Miguel, subcontratando outros operadores, que fazem a cabotagem insular.

"Existe por parte do Governo Regional a defesa deste modelo com o argumento de que ele é economicamente viável, uma vez que não é subsidiado, mas na realidade, apesar de o transporte não estar a ser pago pelo dinheiro dos açorianos, via subsídio, está a ser pago pelos açorianos sempre que vão pagar a conta do supermercado", salientou, em Angra do Heroísmo.

A deputada centrista salientou que os agentes económicos, as câmaras de comércio e até a federação agrícola têm criticado este modelo de transportes, alegando que é "o principal estrangulamento à economia regional", e lembrou que vários especialistas já defenderam publicamente "modelos alternativos mais eficientes".

Noutro projeto de resolução, o CDS defende o alargamento da operação marítima de passageiros e viaturas efetuada pelos navios “Gilberto Mariano” e “Mestre Simão” a todo o grupo Central (Terceira, Graciosa, São Jorge, Faial e Pico), durante todo o ano.

Atualmente, os dois navios asseguram apenas ligações, ao longo de todo o ano, entre as denominadas ‘ilhas do Triângulo' (São Jorge, Faial e Pico), realizando viagens às restantes ilhas do grupo Central apenas entre julho e setembro.

Nesse sentido, o grupo parlamentar do CDS propõe que uma das embarcações passe a fazer base no Porto Comercial da ilha de São Jorge, nas Velas, e que sejam "rapidamente desbloqueados" os processos conducentes à construção de rampas ‘roll-on/roll-off' nos portos de Angra do Heroísmo (Terceira) e Calheta (São Jorge).

"A pernoita de um dos navios, o ‘Mestre Simão’ ou o ‘Gilberto Mariano’, no porto de Velas faria toda a diferença, porque, além de manter as viagens regulares Velas-São Roque-Velas com menos custos, abriria a possibilidade de permitir o transporte de passageiros e viaturas para um outro triângulo que não tem sido devidamente valorizado, que é o triângulo São Jorge-Terceira-Graciosa", frisou a deputada Ana Espínola.

Para os centristas, esse navio deveria assegurar duas ligações diárias entre Velas e São Roque (Pico), havendo uma ligação terrestre assegurada entre São Roque e Madalena e horários combinados nas rotas Horta-Madalena-Horta e Velas-São Roque-Velas.

A proposta defende ainda a criação de ligações semanais entre as ilhas de São Jorge, Terceira e Graciosa, durante todo o ano, bem como a definição de um preço "socialmente justo e economicamente atrativo nas novas ligações a criar, para que as rotas registem níveis significativos de procura".

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Região conta com mais de 400 empresas de animação turística licenciadas. Os dados foram divulgados pela Secretaria Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, em resposta a críticas da AREAT, que alertou para a atividade ilegal e a falta de fiscalização no setor