BCP

Carlos Santos Ferreira demite-se da CGD na quarta-feira


 

Lusa/AO   Economia   24 de Dez de 2007, 05:55

Carlos Santos Ferreira vai apresentar a sua demissão do cargo de presidente da Caixa Geral de Depósitos na quarta-feira e começará no mesmo dia a fazer os contactos para a lista candidata à liderança do BCP.
Fonte próxima do ainda presidente da CGD confirmou à Agência Lusa que Santos Ferreira aceitará o convite para se candidatar à presidência do BCP assim que deixar a liderança da Caixa e que tem "carta branca para escolher a equipa".

    O DN noticiou ontem que Armando Vara, um dos administradores da CGD, vai acompanhar Carlos Santos Ferreira para o BCP, mas a fonte próxima do presidente do banco estatal garante que ainda não foram feitos contactos para a futura administração do BCP.

    "Carlos Santos Ferreira fará como sempre fez nos locais em que exerceu funções idênticas, escolhendo a equipa, não olhando a critérios políticos, mas às qualidades de gestão", garantiu a mesma fonte.

    As listas candidatas terão de ser entregues ao presidente da mesa da assembleia-geral até ao dia 28, sexta-feira.

    Entretanto, o Banco Comercial Português (BCP) garantiu ontem que as perdas relacionadas com alegados empréstimos a sociedades sedeadas em paraísos fiscais (off-shore) para comprarem acções do próprio banco já foram integralmente reflectidas nas contas da instituição financeira.

    Em comunicado divulgado através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o BCP revela que recebeu, a 21 de Dezembro, as conclusões preliminares das investigações que o regulador do mercado está a fazer sobre "diversas entidades sedeadas em jurisdições off-shore" que terão sido financiadas pelo banco para comprarem acções da própria instituição financeira.

    O banco presidido por Filipe Pinhal diz que não foi ouvido sobre as conclusões preliminares da CMVM e que não recebeu a informação em que o regulador se baseia para fazer as conclusões, reservando a sua resposta formal para outro momento do processo.

    No comunicado, o BCP responde já à CMVM sobre o efeito das perdas com estes empréstimos nas contas do banco, dizendo que foi tudo integrado.

    "O Banco Comercial Português confirma que a informação financeira por ele mais recentemente divulgada, nomeadamente a relativa ao período findo em 30 de Setembro de 2007, reflecte integralmente as perdas financeiras decorrentes da situação referida", refere o banco.

    Por imposição da CMVM, o banco divulga também a carta que recebeu do regulador do mercado de capitais em que este considera que o BCP financiou diversas sociedades off-shore para comprarem acções do próprio banco, de uma forma que fazia com que a instituição assumisse o risco dos negócios.

    Na carta, a CMVM refere que as sociedades off-shore referenciadas "constituíram carteiras de valores mobiliários - integrando quase exclusivamente acções do grupo BCP", com financiamentos obtidos junto do próprio banco, "não havendo, em regra, evidência de terem sido alimentadas para esse efeito por qualquer outra transferência significativa de entidade exterior ao Grupo".

    O regulador explica que "as condições dos financiamentos em apreço e o modo de governação das entidades em causa indiciam que o BCP assumiu todo o risco dessas entidades off-shore e que detinha poderes de domínio da vida e negócios dessas entidades", o que faz com que estas operações configurem, "de facto, o financiamento da aquisição de acções próprias, não reportadas como tal".

    "Esta configuração está também presente numa operação realizada com uma instituição financeira de que resultou a comunicação, por esta, de uma participação qualificada, tendo, todavia, o interesse económico permanecido no BCP bem como a possibilidade do exercício dos direitos de voto", acrescenta.

    Se o banco comprasse as suas próprias acções no mercado, isso afectaria os seus rácios de capital, enquanto se o fizesse através de empréstimos a terceiros, isso não aconteceria.

    Por isso, a instituição presidida por Carlos Tavares conclui que, "das circunstâncias descritas decorre que a informação prestada às autoridades e ao mercado, no passado, nem sempre foi completa e/ou verdadeira, designadamente no que diz respeito ao valor do capital próprio e aos detentores do mesmo".

    Acrescenta, ainda, que "foi detectada a realização de transacções de mercado pelas entidades referidas, em montantes e com frequência significativos, que carecem de análise aprofundada com vista a tipificar possíveis infracções às regras do mercado", pelo que o processo vai continuar.


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