Atendimento e falta de higiene dominam reclamações

Das 403 reclamações recebidas no ano passado pela Inspeção Regional do Turismo, a maioria estava relacionada com o mau serviço e atendimento, mas também com a falta de higiene e limpeza



Durante o ano de 2025, a Inspeção Regional do Turismo (IRTur) recebeu 403 reclamações, com maior destaque para a ilha de São Miguel, seguindo-se a ilha Terceira. 

E conforme refere o relatório de atividades da IRTur relativo a 2025, a categoria mais significativa no que às reclamações diz respeito “refere-se à deficiente prestação de serviços e atendimento, o que representa 39 por cento do total de reclamações”.

Em segundo lugar e com 17 por cento do total, “surgem as reclamações relacionadas com a falta de higiene, limpeza e presença de pragas/insetos”, refere a IRTur. 

No que diz respeito aos insetos, “destaca-se a presença de insetos rastejantes, em especial, baratas, como a ocorrência mais frequentemente reportada pelos reclamantes”. 

Para a Inspeção Regional do Turismo, estes dois grupos, que juntos somam mais da metade das reclamações, “apontam para áreas críticas que exigem uma atenção prioritária e a necessidade de estratégia de autocontrolo de pragas mais direcionada e eficaz”.

Refira-se que as 403 reclamações recebidas pela IRTur no ano passado estão em linha com as registadas em 2024, mas estes dois últimos anos representaram um grande aumento face ao número de reclamações - menos de 300 - que a IRTur registou nos anos de 2019 e 2023, respetivamente os anos de referência antes e depois da pandemia de Covid-19.

Alerta da IRTur

No seu relatório de atividades relativo a 2025, a Inspeção Regional do Turismo considera que “à medida que o destino acolhe um número crescente de visitantes e a atividade económica se intensifica, é expectável que o volume de interações entre turistas, empresas e serviços se amplie, aumentando também a probabilidade de ocorrência de conflitos, falhas operacionais ou expectativas não correspondidas”.

Por isso, explica a IRTur, “parte do acréscimo registado nas reclamações, sobretudo nos anos mais recentes, em que os valores atingem os seus máximos, não deve ser interpretado exclusivamente como sinal de deterioração da qualidade, mas também como reflexo de um mercado mais dinâmico e sujeito a maior pressão sobre infraestruturas, alojamentos, transportes e serviços turísticos”. 

Mas apesar disso, a IRTur considera essencial manter-se “vigilante e firmemente comprometida” com a análise sistemática e a fiscalização rigorosa dos operadores alvo das reclamações, “assegurando a implementação de medidas corretivas e preventivas que garantam a salvaguarda da qualidade e a confiança no destino turístico”.

Análise das reclamações

Tendo como referência 295 reclamações registadas, apenas 11 reclamações foram concluídas em mais de 90 dias úteis, não cumprindo o objetivo, revela a IRTur no seu relatório de atividades relativo a 2025.

Entre as restantes, 41 reclamações foram tratadas entre 60 e 90 dias úteis, correspondendo ao cumprimento do objetivo e 243 reclamações foram analisadas em menos de 60 dias úteis, “o que representa 82 por cento das reclamações”. 

Para a IRTur, estes resultados “demonstram que a maioria significativa das reclamações é tratada dentro do prazo limite de superação, demonstrando eficiência operacional e capacidade de resposta adequada”.

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