Associação de jovens ainda procura espaço próprio para desenvolver atividades

A Associação de Juventude Aprender a Viver (AJAV) é uma das maiores associações juvenis dos Açores, envolvendo cerca de 400 associados ativos nas suas atividades. Mas ainda luta por ter um espaço próprio para poder trabalhar.



É uma das maiores associações juvenis dos Açores, envolvendo cerca de 400 associados ativos nas suas atividades, mas tem sido obrigada a andar com a ‘casa às costas’, sem ter um espaço próprio ou até mesmo uma carrinha para transportar os jovens.

Contudo, após anos em casa emprestada, a solução pode estar à vista, através da intenção já manifestada pela Câmara Municipal de Ponta Delgada de arranjar um espaço para a Associação de Juventude Aprender a Viver (AJAV) poder desenvolver as suas atividades.

Em declarações ao Açoriano Oriental, a presidente da AJAV, Solange Ponte, reconhece que “temos sido sempre um caracol com a casa às costas”, o que tem obrigado a associação a desenvolver várias parcerias para poder concretizar as suas atividades com cerca de 400 associados ativos.

São exemplos dessas parcerias a utilização de instalações das Juntas de Freguesia de São Pedro e Santa Bárbara, no Concelho de Ponta Delgada, bem como da Associação de Juventude da Candelária ou do Pavilhão Carlos Silveira.

Mas para Solange Ponte, esta é uma situação que não pode prolongar-se por muito mais tempo. Até porque “temos crianças que querem entrar para os projetos e nós não conseguimos dar resposta, porque também não temos espaço para podermos assegurar mais pessoas na associação”, alerta a presidente da AJAV.

Isto numa altura em que a atividade da associação pretende expandir-se para o arquipélago vizinho da Madeira e mesmo para o Brasil, depois de ter integrado nos últimos anos um projeto de voluntariado em Cabo Verde.

E desenvolve igualmente um festival internacional de arte urbana com lugar para competições de dança, competições gráficas, tatuadores, pintores, escultores, palestras ou até barbershops, num evento em que dificilmente se encontra algo parecido, mesmo a nível nacional.

O International Urban Fest Azores vai ter a sua quarta edição no final do mês de agosto deste ano, concentrando as suas atividades no centro histórico da cidade de Ponta Delgada.

As atividades da AJAV
No essencial, a Associação de Juventude Aprender a Viver desenvolve projetos de dança, de escultura, pintura ou teatro, entre outras atividades. E assinala dias internacionais, de que são exemplos o Dia Mundial da Criança e o Dia Internacional da Juventude.

Conforme explica a presidente da AJAV, Solange Ponte, “cada vez mais temos assumido também direções artísticas para musicais”, sendo um exemplo disso a parceria com a banda filarmónica Fundação Brasileira.

Na época do Natal, a solidariedade bate à porta e a AJAV prepara cabazes com bens alimentares, que entrega a famílias que passam por dificuldades. No desporto, destaca-se ainda o Torneio Superstar, “que reúne quase 200 praticantes de futebol com sete jogadores em cada equipa, que é constituída por adultos e jovens”, explica Solange Ponte.

Destacam-se ainda atividades de voluntariado local, de que é exemplo a recolha de lixo e limpeza das praias. E conforme conclui a presidente da AJAV, “os jovens estão distribuídos pelos vários projetos conforme as suas motivações: os que gostam de dança vão para a dança, os que gostam de pintura vão para a pintura, os que gostam de teatro vão para o teatro e assim sucessivamente”.

Por fim, refira-se um projeto que pretende promover os hábitos de sono saudáveis nos jovens e que conta com a colaboração da Universidade dos Açores para a realização de estudos regionais.

Atualmente e integrado neste projeto, a AJAV está a trabalhar com atletas do Santa Clara, para avaliar os níveis de sono associados aos níveis da performance e do rendimento desportivo.

O público-alvo da AJAV é muito vasto, abrangendo dos treze aos 30 anos de idade e depois público adulto, incluindo jovens em risco de exclusão ou pessoas com necessidades educativas especiais.

Voluntariado em Cabo Verde
Refira-se que desde 2023, a Associação de Juventude Aprender a Viver tem desenvolvido projetos de voluntariado fora dos Açores, tendo este ano rumado há menos de um mês para a ilha de Santiago, em Cabo Verde, onde fica a capital deste país arquipelágico africano, a cidade da Praia.

Conforme recorda Solange Ponte, “o projeto surgiu fruto da parceria com a Kontornu, que é uma associação local, sediada na Praia e que desenvolve programação ligada às artes performativas de dança, pelo que nos pediram uma colaboração a título voluntário para irmos à cidade da Praia, espalhar conhecimento junto das crianças e dos jovens, levando os nossos artistas, que é a grande base da AJAV”.

Durante cerca de uma semana, foram dinamizadas voluntariamente ações de cidadania e solidariedade, aulas de dança e workshops de expressão corporal para crianças e jovens de várias zonas da Ilha de Santiago, tendo este trabalho culminado no dia 16 de maio, com uma competição de dança entre bailarinos, alguns deles vindos de outras ilhas de Cabo Verde.

A principal recordação deste projeto de voluntariado realizado em Cabo Verde, revela Solange Ponte, “foi o facto dos açorianos poderem estar lado a lado com outros jovens e conhecerem a realidade cabo-verdiana”. Isto num país onde os jovens têm menos recursos e mais limitações no percurso que querem trilhar para concretizarem os seus sonhos, se compararmos com a realidade açoriana, da qual os jovens açorianos muitas vezes também se queixam, quando comparada com a realidade continental.

Portanto, as comparações são sempre muito relativas.

Conforme salienta Solange Ponte, os jovens voluntários açorianos regressaram “com o sentimento de que puderam partilhar missões conjuntas num único projeto e todos ficaram a ganhar no final”.

E projetos de voluntariado como este desenvolvido em Cabo Verde, mostram “que estamos a concretizar a missão base da associação, que é a partilha de experiências, a ocupação saudável dos tempos livres e o acesso às oportunidades”, conclui Solange Ponte.

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