Sendo muitas vezes negligenciada, a saúde mental é essencial para a qualidade de vida das pessoas. De modo a consciencializar a população para a importância da mesma, a programação da Semana Europeia do Desporto 2026 vai abordar os benefícios que a atividade física aportam à nossa mente.
Neste âmbito, a Direção Regional do Desporto vai lançar, no dia 30 de setembro, no Palacete Silveira e Paulo, o programa de capacitação “Faróis Emocionais no Desporto”, dirigido a treinadores e dirigentes.
Marco Santos, presidente da delegação regional dos Açores da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), afirma que a atividade física apresenta “diversas vantagens” a nível psicológico, sendo amplamente reconhecida como uma “estratégia eficaz para a promoção da saúde, do bem-estar e da qualidade de vida”.
“Entre os benefícios psicológicos, o desporto pode ajudar na redução do stress, na melhoria do humor, no aumento da autoestima e na promoção de competências psicoemocionais, como a resiliência e a gestão emocional”, destaca o psicólogo.
Atualmente, o desporto continua a ser mais associado à vertente física, existindo uma “subvalorização” da “ligação entre a prática desportiva e a saúde mental”.
Deste modo, segundo Marco Santos, “é crucial continuar a sensibilizar a sociedade e os decisores políticos para a importância de integrar a saúde mental em todas as áreas, incluindo o desporto, promovendo uma abordagem mais holística e equilibrada do bem-estar”.
Apesar destas questões, o dirigente considera que, nos Açores, tem havido uma “evolução na preocupação com a saúde mental”, havendo ainda “desafios consideráveis”.
“Embora os avanços sejam evidentes e encorajadores, é crucial continuar a investir na área da saúde mental, assegurando a disponibilização de recursos adequados para satisfazer as necessidades específicas dos açorianos”, indicou.
Para além do exercício físico, existem diversas atividades que podem ser realizadas para proteger e promover a saúde mental.
Estas atividades englobam qualquer ação que proporcione “prazer e satisfação”, tais como “conviver com amigos, passear na natureza, cozinhar, ler, desenhar, fazer jardinagem, praticar trabalhos manuais, jogar jogos de tabuleiro, entre outras”.
Para além disso, transformações no estilo de vida, como a “implementação de uma alimentação equilibrada, a diminuição do consumo de álcool e tabaco e o envolvimento em atividades recreativas ou espirituais, têm evidenciado benefícios significativos para a saúde mental”.
“A conjunção de atividades prazerosas, sociais e saudáveis apresenta-se como uma estratégia eficaz para proteger e fortalecer a saúde mental”, destacou o psicólogo.
Não obstante os benefícios do desporto na nossa mente, há comportamentos que podem sinalizar a necessidade de uma intervenção mais especializada.
Deste modo, sinais como “alterações persistentes no humor, dificuldades em realizar tarefas do dia a dia devido a cansaço extremo, alterações significativas nos padrões de sono ou apetite, isolamento social e sintomas de ansiedade que interferem de forma significativa na vida pessoal” não devem ser desvalorizados.
Nestes casos, é essencial que as pessoas procurem acompanhamento profissional, como o apoio de um psicólogo, que poderá “realizar uma avaliação detalhada e propor intervenções adequadas”.
“É importante reconhecer precocemente estes sinais e promover a literacia em saúde mental, de modo que as pessoas saibam identificar problemas e procurar ajuda de forma atempada”, afirma Marco Santos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a saúde mental como sendo um “estado de bem-estar que permite ao indivíduo lidar com os desafios do quotidiano”, sendo este capaz de “aprender, trabalhar e de contribuir para a comunidade”.
