A manhã levantou-se com a cor do ocaso. De uma luz tépida e baça, como um vidro fosco, impenetrável ao olhar. Um nevoeiro espesso cobria o horizonte, num prenúncio de chuva. Esse sinistro nevoeiro de Antero, essa matéria informe onde as coisas parecem perder o contorno e os homens a vontade. Um nevoeiro líquido e gotejante, ritmado pelo crepitar miúdo da chuva sobre os vidros. Essa humidade constante...
Órfãos da luz
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