“Nunca pensei em enviá-lo” ao Congresso, disse inicialmente Donald Trump quando questionado sobre o assunto à margem da cimeira do bloco das sete maiores economias mundiais (G7) em Evian, leste de França.
“Mas vou enviá-lo ao Congresso. Gosto dessa ideia”, afirmou.
Questionado sobre o texto do acordo com o Irão, já assinado eletronicamente e que será formalizado durante uma cerimónia na sexta-feira na estância alpina de Bürgenstock, perto de Lucerna, Donald Trump prometeu novamente torná-lo público.
“Não vou apenas publicá-lo, vou certamente dar uma conferência de imprensa e lê-lo até à vírgula para ter a certeza de que a imprensa o cobre corretamente”, afirmou o líder republicano.
O Presidente norte-americano já tinha indicado que pretendia esperar até depois da cerimónia de assinatura na sexta-feira para publicar o texto.
Quanto a um acordo final de paz, Trump considerou viável chegar a um consenso definitivo com Teerão dentro do prazo estabelecido de 60 dias, reservados para negociar o programa nuclear iraniano, entre outros pontos.
“O prazo é de cerca de 60 dias. Penso que será cumprido mais ou menos conforme previsto. Ambas as partes têm estado envolvidas no processo. Penso que querem chegar a um acordo. O Irão quer fazê-lo. Precisa de regressar à atividade normal”, afirmou Trump no início de uma reunião bilateral com o homólogo dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed Al Nahyan.
Nessa reunião, que decorreu à margem da cimeira do G7, considerou que, “agora que a relação se normalizou”, poderá haver progressos “bastante rápidos”.
“Poderia ser mais rápido, embora também pudesse demorar mais tempo. Mas poderia acelerar”, disse Trump, que referiu não ter qualquer problema em publicar o memorando de entendimento, mas que gostaria de dispor “de um quadro formal para o fazer”.
"É muito simples. É isto que diz: o Irão nunca terá uma arma nuclear", insistiu o governante norte-americano.
Trump sublinhou que isso representava “cerca de 99,9%” do que exige, “porque não podia permitir” tal avanço por parte do regime iraniano.
O líder norte-americano referiu ainda que o texto estabelece que o estreito de Ormuz ficará aberto “sem portagens”, para além dos 60 dias.
Trump deixou também claro que a sua administração não concordou em gastar 300 mil milhões de dólares (cerca de 258 mil milhões de euros ao câmbio atual) no Irão como parte de um eventual acordo bilateral.
“Não temos qualquer obrigação”, afirmou, salientando que o acordo assinado os autoriza “a avançar e a investir, caso o desejem no futuro”.
Numa outra reunião bilateral à margem da cimeira do G7, com o emir do Qatar, Tamim bin Hamad Al Thani, Trump pediu ao primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, para ser "mais responsável” no Líbano e admitiu não estar satisfeito com a maneira como Israel tem levado a cabo as suas intervenções no país vizinho e que poderão prejudicar a perceção do acordo de paz alcançado com o Irão.
Trump considerou que o conflito entre Israel e o movimento xiita libanês Hezbollah, apoiado pelo Irão, se prolonga há demasiado tempo e criticou a destruição de edifícios residenciais durante as operações militares conduzidas por Telavive.
O republicano até sugeriu que a Síria devia encarregar-se de lançar uma campanha militar contra o Hezbollah.
“Acho que a Síria conseguiu unificar o país de forma surpreendentemente rápida. Se Israel não conseguir fazer o trabalho sem matar todos os outros, fará. A Síria fará o trabalho”, declarou Trump, que aproveitou também para sublinhar o apoio histórico dos Estados Unidos a Israel, afirmando que o país “teria sido destruído há muito tempo” sem a assistência norte-americana.
