Trump apropriou-se de festejos do 250.º aniversário dos EUA para benefício pessoal

Um relatório do Congresso norte-americano publicado sustenta que o Presidente Donald Trump se apropriou indevidamente das comemorações do 250.º aniversário da independência dos Estados Unidos para servir a sua "ideologia política e projetos pessoais"



O relatório, intitulado "Da Vaidade à Loucura: Como a Casa Branca Enganou o Povo Americano ao Privá-lo do seu 250º Aniversário", aponta para uma rede de corrupção e fraude que explorou os eventos comemorativos da independência.

Em 2016, o Congresso criou a Comissão America250 e uma fundação sem fins lucrativos e apartidária, chamada Fundação America250, para planear as comemorações nacionais de forma imparcial e garantir que estas chegavam a todos os cidadãos.

Quando a liderança da America250 resistiu à pressão da Casa Branca para interferir na organização dos eventos, a administração Trump criou a Freedom250 como alternativa à fundação oficial.

Segundo o relatório, alguns doadores que pretendiam contribuir financeiramente para a America250 foram redirecionados para a organização da Casa Branca, que lhes forneceu os números de encaminhamento e de conta bancária desta última.

Para proteger a identidade dos denunciantes que cooperaram com a investigação, o relatório não revela os nomes dos doadores.

Danielle Alvarez, porta-voz da Freedom250, respondeu à publicação do "alegado 'relatório'", qualificando-o de "uma campanha difamatória partidária orquestrada por políticos que preferem semear a divisão a celebrar o 250.º aniversário da América juntamente com o resto do país".

Os democratas do Congresso acusam a Freedom250 de tentar ainda privar a America250 de financiamento, citando exemplos de aliados de Trump a pressionar os doadores para desviarem fundos da iniciativa bipartidária, de acordo com o The Washington Post.

O relatório alega ainda que alguns aliados de Trump tentaram desviar fundos públicos destinados à America250, incluindo 75 milhões de dólares atribuídos pelo Congresso.

Trump deu início a 24 de junho a uma vasta programação que assinala o 250.º aniversário da Independência, com um comício na inauguração da "Grande Feira Estadual Americana" no National Mall, um amplo parque no centro da capital federal norte-americana, onde estão monumentos como o Lincoln Memorial ou o Washington Monument.

O evento pretende ser uma montra para todos os estados e territórios norte-americanos. Mas, apenas alguns dias antes do início da Feira, vários estados recusaram-se a participar.

Pelo menos sete estados governados por democratas optaram por não enviar representantes oficiais à "Grande Feira Estadual Americana" e alguns expressaram preocupação com a possibilidade do evento estar a tornar-se mais partidário do que o anunciado. 

Massachusetts, Carolina do Norte, Washington, Illinois, Oregon e Connecticut alegaram restrições orçamentais como justificação para não participarem, segundo o portal The Hill, que noticiou ainda que as autoridades do turismo do Maine recusaram o convite devido a compromissos de agenda.

Diversos artistas também cancelaram a sua participação nas festividades no National Mall, após apontarem ligações do evento com a Casa Branca (presidência norte-americana).

Entre os que abandonaram o cartaz estão o cantor de 'rock' Bret Michaels, vocalista da banda Poison, bem como as bandas Alabama, The Marshall Tucker Band, The Oak Ridge Boys e o músico 'country' Mark Wills.

O America250, iniciativa bipartidária, realizará os seus próprios eventos, com comemorações em Nova Iorque, Filadélfia e Califórnia, e festas de rua por todo o país.

Ainda antes da inauguração da "Grande Feira Estadual Americana", Donald Trump comemorou o seu 80.º aniversário na Casa Branca, em 14 de junho, com um evento de artes marciais mistas 'Ultimate Fighting Championship' (UFC), o qual procurou associar também às comemorações dos 250 anos da Independência.

Já para 04 de julho, Dia da Independência, Donald Trump planeia realizar o comício político "mais espetacular de sempre" em Washington.

"Teremos o comício mais espetacular de sempre por TRUMP, uma HOMENAGEM À AMÉRICA", declarou Trump na rede Truth Social e recorrendo mais uma vez à escrita em maiúsculas para enfatizar a sua mensagem.

A celebração do 04 de julho, marcada por grandes fogos de artifício no coração da capital federal, é tradicionalmente apolítica.

O único pedido do grupo Freedom 250 à Pyrotecnico, empresa responsável pela criação do espetáculo de pirotecnia, foi que superasse o recorde das Filipinas de 2016 para a maior queima de fogos de artifício da história, de acordo com o jornal USA Today.

 


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